“Isto não é o fim. Não é, sequer, o princípio do fim. Mas é, talvez, o fim do princípio.”

(Frase proferida por Winston Churchill, num discurso de 1942, após as primeiras vitórias dos Aliados sobre o exército nazi).

Mais do que fixar a discutível adequação da metáfora da guerra ao momento presente e à pandemia que agora vivemos, a frase de Winston Churchill, e o discurso em que ela se insere, remete-nos para algo extremamente atual e de fulcral importância: a necessidade de enfrentar a pandemia sem o desânimo de quem está já cansado e frustrado desta prolongada situação (e do que ainda, provavelmente, está para vir), mas também sem a tranquilidade excessiva de quem lê a mais recente redução dos números de novos casos diários como uma conquista irreversível.

Reconheçamos o caminho já percorrido e louvemos os esforços por todos desenvolvidos, mas permaneçamos alerta e ativos na prevenção e na promoção de boas práticas que permitam continuar a projetar um futuro melhor.

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Desde 9 de maio, início deste projeto, que os psicanalistas da Sociedade Portuguesa de Psicanálise se envolveram na tarefa de criar pequenos textos, nos quais a vivência subjetiva do momento ganhasse forma em palavras, em pequenos textos de variados ritmos, recorrendo frequentemente à arte expressa por escritores e poetas. Falaram sobre o medo, o tempo suspenso, a morte, a angústia, a esperança, a criatividade, o amor, a solidariedade e o cansaço. Falaram também da violência humana e da injustiça, do sentimento de impotência e de ilusão.
Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
Este foi um dos projetos em que nos envolvemos por acreditarmos que a Psicanálise pode e deve participar mais activamente na comunidade, nomeadamente, em momentos em que o Ser Humano é obrigado a sofrer e a realizar alterações tão profundas na sua vida.
Falámos de pesadelos e de histórias tranquilizadoras, da criatividade e generosidade humanas e muito, mas muito, do desejo de saber e de participarmos na construção do pensamento e do conhecimento. E não há conhecimento sem verdade, por mais dolorosa que ela seja. Desistir das falsas ilusões é conhecer a realidade e poder criar e lutar por sonhos, ainda que por vezes estes possam parecer utopias.
“Transformar é Viver” significa para nós que Viver é sempre Transformar, mesmo quando não temos consciência de o estarmos a fazer.
Até sempre!

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