“Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade que de máquinas. Mais de bondade e ternura que de inteligência. Sem isso, a vida tornar-se-á violenta e tudo se perderá” – Charles Chaplin[1]

A sociedade pós-moderna estava a propor um modelo de subjetividade em que se silenciam as possibilidades de reinvenção do sujeito e do mundo. O narcisismo celebrava as aparências, condenando a pessoa à solidão e destruição de si mesma, na convicção inabalável do valor desse empreendimento.

Ao prometer um lugar de primazia à razão, o sujeito descuidou-se da subjetividade; ao insistir no predomínio dos discursos racionalistas, afastou-se da noção de alteridade como valor. Ao propor normas para produzir, supostamente, igualdades cada vez maiores, abriram-se espaços de desigualdades, dissolvendo laços sociais e diminuindo espaços de subjetividade.

E surgiu uma pandemia… E multiplicaram-se os actos de Solidariedade… E surge um Pensamento potenciador de Esperança e de Transformação… E (re)surgiram as Utopias…

“Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror” – Charles Chaplin (Chaplin: Vida e Pensamentos. São Paulo: Martin Claret, 1997)

[1] Charles Chaplin, Último Discurso do Grande Ditador, filme, 1940

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Desde 9 de maio, início deste projeto, que os psicanalistas da Sociedade Portuguesa de Psicanálise se envolveram na tarefa de criar pequenos textos, nos quais a vivência subjetiva do momento ganhasse forma em palavras, em pequenos textos de variados ritmos, recorrendo frequentemente à arte expressa por escritores e poetas. Falaram sobre o medo, o tempo suspenso, a morte, a angústia, a esperança, a criatividade, o amor, a solidariedade e o cansaço. Falaram também da violência humana e da injustiça, do sentimento de impotência e de ilusão.
Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
Este foi um dos projetos em que nos envolvemos por acreditarmos que a Psicanálise pode e deve participar mais activamente na comunidade, nomeadamente, em momentos em que o Ser Humano é obrigado a sofrer e a realizar alterações tão profundas na sua vida.
Falámos de pesadelos e de histórias tranquilizadoras, da criatividade e generosidade humanas e muito, mas muito, do desejo de saber e de participarmos na construção do pensamento e do conhecimento. E não há conhecimento sem verdade, por mais dolorosa que ela seja. Desistir das falsas ilusões é conhecer a realidade e poder criar e lutar por sonhos, ainda que por vezes estes possam parecer utopias.
“Transformar é Viver” significa para nós que Viver é sempre Transformar, mesmo quando não temos consciência de o estarmos a fazer.
Até sempre!

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