Todos os dias é preciso desconstruir narrativas falsas ou enganadoras

Na secção “Não se deixe enganar” procurámos focar-nos, todos os dias, em identificar e desconstruir as principais narrativas falsas ou enganadoras a circular online, quer através das redes sociais, quer nos resultados do motor de busca em resposta a pesquisas através de palavras-chave associadas à Covid-19.

Desde o início de maio até 31 de julho foi feita uma atualização diária de pelo menos 3 questões diretamente relacionadas com as narrativas identificadas, às quais era respondido incorreto, impreciso ou correto, justificando a avaliação efetuada com hiperligações diretas às fontes consultadas, habitualmente plataformas de verificação de factos e/ou autoridades de saúde, nacionais e internacionais. Foram integrados conteúdos de todo o mundo e não apenas de Portugal, assistindo-se a diferentes ondas de desenvolvimento das narrativas identificadas a nível internacional, algumas das quais chegaram ao nosso país, e outras que não ganharam tração em Portugal. A vantagem de integrar conteúdos internacionais foi que o COVIDCHECK pôde assim disponibilizar a priori respostas a questões que surgiriam a jusante, antes das narrativas desinformativas surgirem entre as comunidades nacionais de internautas.  

Destaca-se que, ao longo deste período, as narrativas falsas ou enganadoras ligadas aos métodos alternativos de cura e diagnóstico da doença foram ficando menos presentes, assistindo-se sim a um crescente aumento relativo à desinformação associada ao uso de máscaras e administração de vacinas, com narrativas cíclicas a reaparecer em diferentes formatos e diferentes plataformas. As narrativas conspiratórias envolvendo figuras do sistema político e económico norte-americano tiveram menor prevalência nas redes sociais nacionais. Já o discurso xenófobo contra a China e a sua responsabilização pela situação pandémica manteve-se sempre presente durante todo o período analisado, não através de grandes narrativas conspiratórias, mas em subtis apontamentos sobre o tema.  

Por fim, importa destacar que a mensagem subjacente prevalecente na quase totalidade das narrativas identificadas foi a de descredibilização da ciência, da academia e das autoridades, procurando minar a confiança nas instituições e no método científico. Este discurso foi evidente não só no conteúdo desinformativo, como na descontextualização de notícias e declarações oficiais, com o aproveitamento explícito da evolução expectável da posição das autoridades, e da existência de estudos científicos com dados divergentes, para promover uma imagem negativa de toda a comunidade científica e das instituições públicas. Sempre com o único objetivo de prejudicar a luta contra a pandemia, os cidadãos e a sociedade como um todo.

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Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
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“Transformar é Viver” significa para nós que Viver é sempre Transformar, mesmo quando não temos consciência de o estarmos a fazer.
Até sempre!

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