Inicio Transformar é viver

Transformar é viver

O início das férias familiares traz consigo a possibilidade de criar um antes e um depois. O ano letivo terminado teve inúmeros elementos disruptivos de incertezas e adaptações. A interrupção para as férias de Verão permite-nos, por um lado, criar algum distanciamento e, por outro, começar a preparar a reentrada.
Mesmo sabendo que há ainda questões em aberto relativas ao próximo ano escolar, a adoção de comportamentos preventivos e a sua normalização poderá contribuir em muito para um inicio de ano letivo mais harmonioso.
Que o ambiente seguro e familiar de verão seja simultaneamente libertador/ retemperador e espaço de consciencialização para o papel das crianças e jovens, professores e pessoal não-docente na construção de um ambiente escolar dinâmico e participado.

Nada de conclusivo prova que o Sars-Cov2 nos chegue ao cérebro, mas o certo é que há muito que nos subiu à "cabeça"!
A desinformação e a menção a episódios de transgressão de leis anti-Covid continuam a imperar.
Contudo, a coragem vem-nos de uma taxa de infeção a decrescer e de surgirem notícias acerca do potencial de uma nova vacina.
A tristeza mantém-se com as mortes anunciadas e a incerteza com as reuniões inacabadas.
Um foco aqui, outro ali, em vários locais do mundo mantém-nos em suspenso e atentos. Será que conseguimos aprender a protegermo-nos? E vivendo o presente mas com os olhos postos no futuro próximo surgem as inquietações que já tão bem vamos conhecendo. Algumas ainda não são nomeáveis e parecem desvanecer-se ao sol, à água e ao repouso. Mas logo voltam e nos questionam: Como vai ser?
O mundo está de pés para o ar mas com jeitinho a gravidade vai pondo algumas coisas no lugar.
Por vezes, parece que não sabemos muito bem para onde ir, mas como nos diz o poeta:
"Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
— Sei que não vou por aí." ( José Régio, Cântico Negro "Vem por aqui")

A distância física e o uso de máscara vai entrando nas nossas vidas: antes o insólito, agora uma norma para manter a saúde e a vida. Não se sabe onde nos vai levar. Trará o olhar mais precisas notícias de dentro? Permanecerá o jeito de procurar nos olhos de alguém o sorriso que sobe até eles? Caminharemos lado a lado com um passo mais fraterno?
Não há grandes mudanças nos seres humanos por mais que mudem as suas circunstâncias. O amor continuará a ser a aspiração fundamental. Amor aos outros e a si mesmo. O distanciamento físico que, por alguma preocupante razão, tem sido nomeado por “social” não enfraquece, inevitavelmente, os vínculos. É a falta que nos conduz a alguém, o desejo que provoca o encontro, é também na ausência que a importância do outro se eleva. Nenhum vírus irá liquidar esta nossa condição. E, se algo se pode aprender neste temporal, é que a cooperação, inversa à competição feroz e cruel, é o caminho para a sobrevivência de cada um e de todos.

Há milhões de anos, alterações das condições de vida favoreceram o surgimento da postura ereta e do bipedismo nos nossos antepassados mais remotos. O estreitamento da bacia daí decorrente obrigou a que as fêmeas parissem crias muito pequenas e imaturas, incapazes de se socorrerem a elas próprias. A sua extrema fragilidade tornou-as dependentes de cuidados externos e a tal ponto que, sem eles, morreriam antes de terem alcançado a capacidade de se reproduzir.
A situação de vulnerabilidade original do bebé do homem revelou-se incrivelmente vantajosa: a imaturidade neuro-cerebral presente à nascença é um fator de plasticidade que permite o surgir, sob a influência das estimulações sociais e ambientais, de uma infinidade de conexões cerebrais individualizadas. Assim, se a prematuridade do recém-nascido parece ter privado o ser humano de esquemas comportamentais instintivos bem constituídos, dotou-o de uma capacidade cerebral, até então nunca vista, para poder aprender a partir das suas próprias experiências relacionais.
Por outro lado, o desamparo original favoreceu a emergência e a seleção, no seio da espécie, de comportamentos de ajuda e de assistência aos mais desprotegidos. Podemos ver aí a origem racional – porque essencial à sobrevivência da espécie – de um núcleo transcultural de ética, isto é, de práticas de cooperação, de troca e de reciprocidade, culminando no desenvolvimento daquilo a que comummente chamamos solidariedade.
Talvez possamos pensar que hoje, mergulhados nesta pandemia, o que nos pode salvar é essencialmente o mesmo que nos permitiu aceder à condição humana: a capacidade de aprender a partir da experiência e de fazer conjeturas sobre o futuro e a capacidade de empatizar  e de cuidar dos outros.

Estamos condenados a VIVER 😉
A humanidade sobreviverá a esta peste, como sempre sobreviveu às que com ela se cruzaram ao longo da história!
Eros deve permanecer o nosso farol!!! Eros rima com gozo, férias, descanso, repouso… Eros rima com afetos bem expressos, com proximidade dos que nos são caros e queridos!
Devemos viver - em pleno -, recusando sobreviver!
Saibamos delimitar o medo e receio, recusando sobreviver!
As tormentas virarão boa-esperança!
Que em breve seja Fénix esta nossa virulenta experiência!

Outros Artigos