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Transformar é viver

Uma boa qualidade de vida exige a capacidade de conjugar a flexibilidade e o rigor informativos, elementos essenciais para enfrentar a inquietação e a incerteza suscitados pelos tempos atuais do coronavírus.

A vivência destes tempos de excepção, que tão fortemente rompem com os parâmetros de vida habituais, forçam-nos a adotar com particular intensidade formas de agir e estilos de vida também eles excepcionais. Face a uma situação inédita, sobre a qual pouco se sabe e compreende e que a todos parece ter apanhado de surpresa, é importante saber sossegar-nos pela procura de personalidades ou instituições em que reconhecemos autoridade e seriedade.

João dos Santos, pedagogo e médico psicanalista, dizia que a arte de educar, de curar e de amar são uma e a mesma coisa.
O tempo tem vários tempos, consoante a idade e consoante as experiências emocionais; no entanto há duas alturas da vida onde o tempo se aproxima: quando se cresce, pequenino, e quando se perscruta o horizonte, certo de lá chegar. Em ambas essas idades do homem o tempo é precioso e preenchido por milhares de experiências únicas. Por isso os seniores sábios não se querem conformar e por isso as crianças conformadas não estão saudáveis.
Mas, por entre a imaginação e o olhar que a máscara não esconde, a relação, a tolerância e o bom senso podem permitir retomar a vida, e, nela, a nossa liberdade. Lembra a pergunta da Esfinge a Édipo. Talvez a Esfinge, nesse tempo longínquo intuísse que a liberdade está ligada à sabedoria.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa, no poema Tabacaria, fala-nos de ter em si "todos os sonhos do mundo". Hoje, talvez faça sentido dizer que todos os sonhos do mundo são um mundo sem pandemia.
Os nossos pequenos e simples gestos do quotidiano podem contribuir para nos aproximarmos desse sonho.
Fernando Pessoa, Tabacaria (1928; ed. Presença 1933)

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