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Análise do dia

Liga com vitória do Covid Futebol Clube

Mas uma vez os novos infetados por Covid-19 em Portugal estão acima das três centenas, com 339 casos, 81% dos quais na região de Lisboa. Mas o principal interesse relacionado à pandemia tem a ver com os adeptos do FCP após a conquista da Liga Nacional de Futebol que, no Porto e em Lisboa, ontem festejaram sem máscaras e sem distanciamento.
Este desrespeito pelas regras de segurança e prevenção da pandemia por milhares de pessoas não augura nada de bom para as próximas semanas, e nem as autoridades conseguiram controlar as multidões. Ainda houve polícias a dispersar adeptos portistas nos Aliados, em grupo compacto e sem qualquer cuidado sanitário, mas a PSP foi recebida com garrafas arremessadas enquanto tentava sensibilizar o grupo para a conduta irresponsável. Mas, depois de ver os jogadores a quebrarem todas as regras, e vários jornalistas no Estádio do Dragão também (sem máscara, com máscara no queixo, com o nariz de fora, a centímetros dos entrevistados), quem afinal parece que ganhou o campeonato foi o Covid Futebol Clube.
É verdade que foram identificadas mais de 500 contraordenações por desrespeito das regras na primeira quinzena de julho, mas não parece suficiente para que parte da população perceba que sem um esforço de todos não é possível controlar a pandemia.

Preparação do novo ano letivo é prioridade

A DGS esclareceu, à raiz de declarações na conferência de imprensa de dia 10, que as orientações para o novo ano letivo são múltiplas. O distanciamento entre alunos, sempre que possível, deverá ser de 1 metro. Porém, a medida não deve ser vista isoladamente, mas sim no conjunto de medidas como o uso de máscara ou a disposição das salas de aula.
O número de novos casos por concelho será atualizado à segunda-feira, até que as alterações no sistema informático estejam terminadas. Segundo a Secretária de Estado Adjunta e da Saúde, tal facto não colocará em causa a resposta no terreno. No entanto esta informação poderá ser fundamental, na medida em que os focos têm incidido em concelhos específicos.
Sobre o coronavírus, toda a investigação científica internacional parece indicar que não parece ter uma preferência por estações do ano e sazonalidade. É também necessário mais tempo para perceber as sequelas provocadas pela Covid-19. Estudos preliminares ainda não têm a robustez científica desejada.

Pessoas com piores condições sofrem mais com a pandemia

Como se temia, as pessoas com piores condições de habitabilidade ressentem-se mais das medidas de confinamento. Estes são algumas das conclusões preliminares de um estudo da Universidade de Coimbra, que indica ainda que apenas 25% dos inquiridos tem uma habitação de qualidade boa ou muito boa.
Hoje o dia revela algum otimismo para a situação portuguesa, com apenas 233 novos casos, dos quais só 61% na Região de Lisboa e Vale do Tejo.
Uma situação que tem vindo a ser antecipada com preocupação são os festejos dos adeptos portistas caso o FCP vença o campeonato nacional, o que pode acontecer já hoje ou amanhã. Apesar dos apelos das autoridades para festejar com segurança e evitar criar focos de contágio, o autarca do Porto, Rui Moreira, preferiu quase desresponsabilizar os adeptos ao dizer que não é possível tomar medidas de prevenção.

Incidência da infeção com tendência decrescente

 Não há grandes alterações nos casos de novas infeções em relação ao que tem sido o padrão nas últimas semanas. Novidade da comunicação oficial é a indicação da incidência de infeção, um dos indicadores usado para medir a evolução da Covid-19, que é na região de Lisboa de 120 casos por 100 mil habitantes. O valor apresenta uma tendência ligeiramente decrescente, mas sob observação. Nas freguesias mais atingidas o valor varia entre os 125 a 150 novos casos por 100 mil habitantes.
Luís Goes Pinheiro, presidente dos serviços partilhados do Ministério da Saúde, esclareceu que está a ser realizada uma intervenção nos sistemas (SINAVE LAB e SINAVE MED) para se melhorar a comunicação e tratamento de dados com o objetivo de aumentar a celeridade na obtenção de informação e diminuição do erro, através de processos automatizados e menos dependentes de tarefas manuais. Mas, visto que a maior parte das pessoas não conhece as plataformas, a comunicação oficial deveria, a bem da transparência, explicar o fluxo desde o registo até à obtenção da informação e de que forma esta é cruzada.
A Diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, acrescentou que esta intervenção facilitará a rapidez no processo de análise, uma segurança adicional e um rigor, libertando técnicos altamente qualificados para analisar melhor a informação em tempo útil. É de notar que este processo não deve alterar o número de casos reportados até ao momento.

Hospitais já a preparar possível crise no outono

Antecipando a possibilidade da pandemia se intensificar no outono (seja a tão anunciada segunda vaga ou não), os hospitais portugueses já se estão a preparar. Dois casos concretos, S. João no Porto e Santa Maria em Lisboa, desejam mais profissionais e espaços de isolamento com pressão negativa para conseguir tratar doentes Covid-19 e não Covid-19 em segurança.
O balanço do dia fica um pouco abaixo dos 300 novos casos (291, 78% dos quais na zona de Lisboa) e seis mortos. A boa notícia é que os internados em cuidados intensivos baixaram para 64, valor mais baixo em um mês.
A nível internacional os novos casos continuam a crescer em relação ao dia anterior, com EUA, Brasil, Índia, México, Irão, Africa do Sul ou Egito a serem os países com mais novas infeções.

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