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Análise do dia

E ao segundo dia os números continuam animadores

Em dois dias tudo parece melhorar: hoje houve apenas 127 infetados por Covid-19, o menor número de infetados desde 11 de maio, batendo em baixa os 135 de segunda-feira. O que se mantém similar é a distribuição geográfica, com cerca de 80% a registar-se em Lisboa e Vale do Tejo. Ainda é cedo para confirmar se há um decréscimo acentuado de novos casos, mas dois dias bons é melhor do que apenas um.
Mesmo assim não se podem cruzar braços, e os casos de desrespeito pelas regras continuam a surgir. Por exemplo, um homem de 27 anos infetado com Covid-19 teve de ser detido pela GNR do Redondo, Évora, por desrespeito das regras de confinamento em quarentena em casa.
E antecipam-se novos desafios, como informar corretamente os emigrantes que vêm passar férias a Portugal, havendo que sugira que deviam ser alvo de campanhas de sensibilização a reforçar a importância de se protegerem a si e aos outros.

Grande redução de novas infeções causa expectativa

Em dia de grande redução de novas infeções (apenas 135, o valor mais baixo desde 11 de maio), não houve grandes novidades na comunicação oficial sobre a pandemia. A taxa de incidência da doença nos últimos sete dias é de 19 por 100 mil habitantes, valor que a Ministra da Saúde considera encorajador. O Rt, calculado entre 12 e 16 de julho, é de 0,97. Ao longo do tempo está numa trajetória de decréscimo.
Há 206 surtos ativos: 41 na região Norte, 11 no Centro, 131 em Lisboa e Vale do Tejo, 10 no Alentejo e 13 no Algarve. No caso da Covid-19, a DGS considera um surto extinto após 28 dias (dois períodos de incubação). Neste sentido, alguns dos listados podem já não registar casos há vários dias.
O Ministério da Saúde, juntamente com o Infarmed, tem acompanhado os desenvolvimentos de possíveis vacinas para a Covid-19. Porém, é ainda prematuro ter mais do que expectativas relativamente ao seu sucesso. Não obstante, Portugal já sinalizou o interesse em adquirir quantidades adequadas de uma eventual vacina.

Mundo a piorar, Portugal continua no assim-assim

Se em Portugal surgiram 246 novos casos, com a região de Lisboa e Vale do Tejo a concentrar 87% (mantendo o padrão das últimas semanas), os Estados Unidos registaram 60 mil novos casos de infeção por coronavírus, numa pandemia que já provocou mais de 600 mil mortes no Mundo.
Se o assim-assim português é cansativo, em muitas outras partes do Mundo a situação é dramática, e continua a piorar de dia para dia. A Índia registou quase 39 mil novos casos de Covid-19 nas últimas 24 horas, um número recorde. A África do Sul é já o quinto país com maior número de casos, a seguir aos EUA, Brasil, Índia e Rússia. E Hong Kong, onde a pandemia parecia controlada há meses, registou mais de 100 casos nas últimas 24 horas, um número diário sem precedentes.

Pandemia ultrapassa os 14 milhões de infetados

Enquanto em Portugal a preocupação continua focada na persistência das novas infeções, dia após dia na casa dos 300 casos, no Mundo ultrapassou-se a barreira dos 14 milhões de infeções desde o início da pandemia. E apenas nos últimos três dias foram registados mais de um milhão de novos casos, o que mostra que continua em crescimento exponencial.
Acresce a estes números impressionantes o consenso internacional de que o número de casos diagnosticados é apenas uma parte relativamente pequena do total real de infeções, devido a diversos motivos. Por um lado, há países a testar apenas casos graves e/ou com internamento hospitalar, outros que não agregam ou relatam a totalidade de casos, muitos sem recursos e com pouca capacidade de rastreamento, e todos os infetados assintomáticos que, não sendo testados, não sabem que têm coronavírus mas continuam a ser disseminadores da doença.
Em Portugal não há hoje novidade de registo excecional: mais 313 casos de infeção, dos quais 77% na região de Lisboa e Vale do Tejo. E uma boa notícia, mesmo que pequena: afinal há apenas 4 infetados na GNR de Bragança, e não 56, como tinha ontem sido divulgado.

Estado descarta uso obrigatório de máscara na rua

A Ministra da Saúde considera a possibilidade do uso obrigatório de máscara na rua desnecessária. Nos últimos 7 dias regista-se uma diminuição da incidência nos novos casos em Lisboa e Vale do Tejo. Porém, padrões ainda não estão bem definidos. A estratégia de testagem e o número de testes realizados diariamente mantém-se. A tendência no número de novos casos é inconstante.
O Rt nacional (taxa de contágio por cada infetado), com dados de 10 a 14 de julho, é de 0,96 (o que significa que cada infetado contagia em média menos de uma pessoa). A distribuição por zonas é: 1,04 Norte, 0,99 Centro, 0,94 Lisboa e Vale do Tejo, 0,89 Alentejo e 1,17 Algarve. O indicador continua a suscitar dúvidas, nomeadamente pelo facto de este ser inferior em Lisboa, zona de tem concentrado a grande maioria dos casos, do que em outras zonas. Foi explicado na comunicação oficial que o indicador apenas dá o risco de transmissão de novos casos e não número de novos casos, daí os valores, mas mesmo que correto não deixa de ser confuso para a generalidade dos cidadãos.
Sobre os transportes públicos, a Ministra da Saúde esclareceu que neste momento não vê motivo para se alterar o definido. Relembra que há um risco, por si só, relacionado com a concentração de pessoas em espaços fechados.

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