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Análise do dia

Máscaras são obrigadas a ter certificação

Em mais um dia sem grandes novidades, a comunicação oficial da DGS e do Ministério da Saúde clarificou algumas questões que vinham dos dias anteriores e desconstruiu alguma desinformação.
Após a aquisição de três milhões de máscaras pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, que entretanto perderam certificação, foi solicitado esclarecimento ao fornecedor. Só 1,46 milhões dessas máscaras estão em Portugal, mas não foram distribuídas nem o pagamento será realizado até esclarecimento. Foi acrescentado o esclarecimento de que todas as máscaras devem ser obtidas com uma certificação própria e que engloba o Infarmed, DGS, IPQ e a fiscalização da ASAE.
Foi dada a explicação clara de que um vírus, quando entra em circulação, é muito improvável que desapareça por si. Se não sofrer mutações importantes, quer exista vacina ou não, os seres humanos vão ganhando imunidade e o vírus torna-se menos agressivo. Este esclarecimento foi dado a propósito de declarações de um ex-membro da OMS que afirmou que o coronavírus pode desaparecer naturalmente sem uma vacina. Mas a DGS afirma ser apenas uma teoria e que é muito improvável. Só houve um vírus que desapareceu (1980) e foi devido ao uso maciço de vacina.

Desconfinamento sim, mas com autovigilância

Visto que os números oficiais de infetados, internados e mortos se mantêm estáveis, a mensagem oficial da DGS focou-se nos sinais encorajadores face às medidas de desconfinamento. No entanto volta a reforçar-se a ideia de ser imprescindível manter a monitorização sistemática da situação e o alerta de que o retomar de atividades vai depender do comportamento cívico e da autovigilância, mesmo se não podemos deixar que o medo impeça a retoma.
Como são muitas as dúvidas sobre os tempos futuros, a comunicação oficial deixa claro que a normalidade total só será alcançada com a cura ou vacina, daí a importância de cumprir regras. Mas é também reforçado que o confinamento também tem efeitos adversos, do ponto de vista psicológico ou mesmo em casos de violência doméstica e, portanto, o desconfinamento gradual é importante para continuar a proteger as pessoas.
Quando se está prestes a reabrir escolas, creches e mais lojas, a testagem continua a ser uma prioridade, nomeadamente na realização dos rastreios em creches e lares, de forma a garantir segurança na abertura.

Ainda é cedo para relaxar

Apesar dos primeiros dados após o desconfinamento serem “positivos”, Portugal continua a aumentar o número de testes e não se deve relaxar nas medidas de minimização do risco de contágio. Esta foi a principal mensagem passada na conferência de imprensa diária sobre a pandemia, mas também pelas declarações posteriores do Primeiro-Ministro, António Costa.
Esta mensagem do boletim diário da DGS foi reforçada por números positivos em várias áreas: já se realizaram até ao momento mais de 600 mil testes; 13 de maio foi o dia em que se realizaram mais testes (17500); Portugal continua a aumentar o número de testes realizados; os primeiros dados (que não são um balanço) após o desconfinamento (a 4 de maio) apresentam redução no número de doentes em tratamento hospitalar (17%) e em unidades de cuidados intensivos (16%), e um aumento dos recuperados (90%); a RT total dos últimos 5 dias é de 0,97 (cada pessoa infetada contagia menos de uma pessoa), com variações regionais pouco significativas.
Tais dados não significam um relaxamento no cumprimento das medidas de minimização do risco de contágio. Foi deixado claro que existe monitorização permanente do surto e acompanhamento das medidas, de forma a criar uma margem de segurança.

Números animadores para o desconfinamento, mas novos casos vão continuar

Mesmo que os números de infetados, internados e mortes por Covid-19 sejam animadores, a DGS deixou claro que ainda não são refletidas na curva epidémica de Portugal as medidas de desconfinamento. Fica o alerta de que é expectável e normal o surgimento de 200 a 300 novos casos dia.
Em termos concretos, o valor RT continua à volta de 1, ou seja, cada infetado infeta uma pessoa. O valor RT de Lisboa e Vale do Tejo continua a superar o resto do país, pois é a região onde foram detetados mais novos casos nos últimos dias. Mais uma vez a DGS insistiu que o RT não parece refletir consequências do desconfinamento. O que não foi comunicado de forma clara foi a realização de um estudo sobre EPIs relativamente aos tratamentos convencionados. Assume-se que se estará a falar de equipamentos de proteção individual e parece haver uma polémica sobre quem paga e se o Estado subvenciona, mas a DGS deveria ser mais clara sobre este assunto.

Nova normalidade centrada na expectativa sobre novos comportamentos

A comunicação oficial em Portugal sobre a pandemia de Covid-19 tem vindo a entrar numa nova normalidade, tal como a vida quotidiana em Portugal, e esse foi um dos focos do dia.
A DGS marcou de forma clara que este novo tipo de normalidade vai tentar conciliar o normal desenvolvimento e comportamentos, mas com regras. Nesse sentido, foi explicado que o trabalho relativo à definição de recomendações e regras no âmbito da época balnear ainda não foi terminado, sendo certo que esta é uma das maiores questões atuais dos portugueses. Uma limitação temporária que afetou as famílias referia-se aos procedimentos funerários, pelo que a DGS anunciou que vai publicar nova orientação sobre óbitos.
Como as creches vão reabrir na próxima semana, foi reforçada na comunicação o conjunto de boas práticas e regras no âmbito das creches, desenvolvido conjuntamente e com o objetivo de minimizar risco de contaminação. Foi também destacado que até à data não há relatos de dados positivos no âmbito do rastreio em profissionais das creches. No que toca às escolas, ao contrário dos Açores, em Portugal continental ainda não existe decisão definitiva sobre se vão ser feitos testes a alunos e professores. Em relação a outros grupos profissionais, está a ser articulada a possibilidade de serem realizados testes a pescadores.

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