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Análise do dia

Curva estabiliza mas casos não param

As principais conclusões da conferência diária apontam para o facto positivo da curva epidémica ter estabilizado nos últimos dias, registando-se entre 200 a 300 novos casos por dia. A concentração da maioria dos casos é em Lisboa e Vale do Tejo, onde a situação a ser acompanhada com mais cuidado. Contribuem para o maior número de casos por dia registados na região a situação na Azambuja (unidades industriais) e outros casos dispersos com origem em ambiente familiar. Foi também chamada a atenção para o padrão dos infetados na região, de pessoas mais jovens e mais saudáveis, sendo a gravidade menor que no passado. A conclusão é que o atual número de óbitos global está dentro dos valores e parâmetros esperados para a época e para a curva programada. Foi também confirmado a que o aumento de mortes verificado em abril deveu-se a mortes por Covid e não Covid.
Dos 339 testes programados e em curso nas unidades da Sonae na Azambuja foram identificados 76 casos Covid-19 positivos. Outras empresas da Azambuja testaram trabalhadores e foram encontrados 2 casos positivos numa e 3 noutra. Nas restantes empresas não foram identificados casos positivos. Trata-se de uma situação epidemiológica particular, estando a ser acompanhada pelas entidades da saúde, parceiros sociais e empresas com o objetivo de interromper as cadeias de transmissão.

Falta de dados obriga a manter prevenção

No dia em que se atingiu a marca de 5 milhões de casos positivos no mundo é reforçada a importância da prevenção no combate à Covid-19. Na comunicação oficial chamou-se a atenção , como ainda não há dados sobre a reação do novo coronavírus ao calor, e se este tem um comportamento sazonal como os outros 4 coronavírus já identificados, não se podem descurar as medidas de prevenção. Certo é que vai ser publicado o diploma sobre a nova época balear, com regras próprias e com indicações específicas para o trabalho dos nadadores-salvadores.
Para as autoridades, ainda não é tempo para fazer um balanço relativo ao desconfinamento. É transmitida a ideia de confiança, mas continua a haver um critério de contenção e responsabilidade. O objetivo é encontrar um ponto de equilíbrio entre as mensagens “fique em casa” e “retome a sua atividade”, provavelmente a mensagem mais dúbia passada desde o início da semana. Por um lado, as palavras insistem em que os portugueses se mantenham em confinamento, por outro, os responsáveis do Governo insistem em que as pessoas saiam para apoiar a retoma da atividade económica.
Obviamente as questões de saúde são relevantes, e ficou claro que a retoma na atividade nos serviços de saúde, como consultas e cirurgias, tem vindo a ser realizada de forma progressiva e de acordo com a capacidade das instituições. Em termos de tempo que demorará a normalizar, dependerá da capacidade das instituições. O recurso aos convencionados continuará a ser uma solução sempre que necessário.

Bons números suportam desconfinamento

À medida que os portugueses saem mais e retomam alguns hábitos (crianças vão às creches, alunos do secundário a algumas aulas, cidadãos em geral tomar um café ou comer fora), os números da pandemia em Portugal parecem suportar esse retorno a alguma normalidade.
A comunicação do dia confirmou que desde 20 abril o número médio semanal de internamentos e óbitos tem diminuído. É igualmente positivo que entre 13 e 17 de maio (segunda semana da primeira fase desconfinamento) a média de RT estimado é de 0,95 (ou seja, cada infetado infetou menos de uma pessoa). Foi transmitido um sinal de confiança, mas deixado o alerta de que, apesar dos números, é fundamental continuar a cumprir as normas da DGS, que vão sendo atualizadas em função do contexto.
O que é novo são alterações à orientação para os transportes públicos, que continua a colocar enfase na desinfeção de superfícies. Tal deve-se ao facto de ainda não existir evidência científica sólida que o vírus não se transmita através de superfícies e objetos, apesar de alguns estudos dos últimos dias o sugerirem. Assim, os transportes públicos (tal como todas as superfícies de contacto constante, como maçanetas ou puxadores) continuam a ser considerados potenciais fontes de contágio, merecendo higienização cuidada.

Sem grandes percalços, destaque a casos concretos

Na comunicação oficial do dia, e sem grandes percalços a registar no arranque da segunda fase de desconfinamento, muita da informação foi focada em casos específicos ou grupos de população. A resposta mais ansiada foi muito clara mas inconclusiva e tem a ver com o expectável aquecimento das temperaturas médias nas próximas semanas: para já há que aguardar para saber o comportamento do novo coronavírus ao calor.
Questão recorrente tem a ver com possíveis medicamentos e a sua eficácia. Depois de Donald Trump vir a público, mais uma vez, fazer a apologia da hidroxicloroquina e afirmar que a está a tomar há 10 dias, Graça Freitas voltou a repetir de forma clara aquilo que todos (menos Trump e Jair Bolsonaro) sabem:  o uso da hidroxicloroquina e os estudos da sua eficácia no tratamento da Covid-19 são inconclusivos. A DGS indica que o medicamento, tais como quaisquer outros, tem indicações e contraindicações e a decisão da sua utilização será sempre da EMA (Agência Europeia do Medicamento).
Vale a pena acrescentar à comunicação oficial que os estudos científicos que existem sobre hidroxicloroquina e Covid-19 concluem que o seu uso é mais perigoso que útil e que não há nenhuma prova de que o medicamento tenha sequer ajudado alguém a recuperar da doença.

Mais desconfinamento, novas preocupações

No dia que marcou o início da segunda fase de desconfinamento, com reabertura de creches, escolas, restauração e lares, estes foram naturalmente os principais focos de comunicação oficial e também das expressões online dos portugueses.
Para dar o exemplo, António Costa tomou café na pastelaria Califa, em S. Domingos de Benfica, e foi almoçar com o Presidente da Assembleia da República ao restaurante Alfaia, no Bairro alto, ambos em Lisboa. Esta foi uma forma política de dar um sinal de incentivo aos portugueses para irem comer fora e, assim, apoiar os estabelecimentos que reabriram ontem, em mais uma fase de desconfinamento.
Um tema a provocar controvérsia, porque vem pôr em causa uma das poucas mensagens que foi transmitida de forma global e aceite, tem a ver com a transmissão do coronavírus através de superfícies. Na comunicação oficial do dia foi destacado que apesar do estudo agora referido pela OMS, cujos dados apontam que parece ser mais difícil a transmissão do vírus de superfícies para o trato respiratório, este não é um estudo conclusivo. Recomendações de limpeza e desinfeção mantêm-se, assim como de higienização pessoal.

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