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Análise do dia

Melhorar planeamento e comunicação podem ser fundamentais

Especialistas do Fórum Médico de Saúde Pública alertaram para a necessidade de melhorar o planeamento e a comunicação pública, bem como em ter mais recursos para lutar contra a pandemia, em audiência com o Presidente da República.
Pelo segundo dia consecutivo houve menos de 300 novos infetados com Covid-19, mas há a lamentar 9 mortes. A maioria dos infetados continua a ser na região de Lisboa e Vale do Tejo. Primeiros dados sobre a evolução da pandemia em Portugal ao longo de quatro meses confirma que os mais velhos têm maior mortalidade, mas que é nos jovens que há mais infeções, em especial desde que começou o desconfinamento.
Em relação a focos, o caso de Reguengos de Monsaraz é o mais mediático, pois já se registam 14 óbitos, mas as aglomerações de jovens holandeses em bares no Algarve também têm chamado a atenção e criado discussão sobre os turistas que vêm a Portugal.

Novas infeções baixam bastante, mas desrespeito continua

No dia em que as novas infeções por Covid-19 baixaram substancialmente, de mais de 300 para 232, pela primeira vez em várias semanas, continuam a ser noticiados atos conscientes de desrespeito às boas-práticas de prevenção. É o caso de mais uma festa ilegal, com 300 pessoas, organizada através das redes sociais (e até havia memorabilia da festa!), que foi interrompida pela GNR, em Fernão Ferro. Casos como este, ou o dos 34 estabelecimentos comerciais que foram encerrados na Amadora por incumprimento, só vêm aumentar o descontentamento dos cidadãos cumpridores, começando a ser notório nas ruas e nas redes sociais um movimento a favor de medidas mais duras e explícitas para quem não contribui para o controlo da pandemia.
Na comunicação oficial do dia falou-se sobre as dúvidas relativas aos números divulgados no boletim diário, e foi confirmado que os valores totais comunicados a nível nacional são fiáveis. Devido a diferentes formas de trabalhar é necessário afinar a informação a nível de concelho. Porém, isso não implica que não se saiba quantos casos há e que não estejam a ser acompanhados, apenas não são refletidos localmente no boletim.
A DGS indicou que Portugal reporta há mais de 125 dias o total de casos no país, ao contrário de outros países tendo, até ao momento, identificado quase 400 mil indivíduos suspeitos.

Padrão de novos infetados não dá sinal de melhorar

Os casos ativos e internamentos devido à Covid-19 aumentam em Portugal há seis dias. Os novos infetados voltam a ser mais de 300, com 3/4 a surgirem na região de Lisboa e Vale do Tejo.
O Politécnico da Guarda teve de suspender os exames presenciais devido a ter estudantes infetados, supostamente após terem sido realizadas várias “festas covid” ilegais. O surto em Reguengos de Monsaraz, associado a foco de infeção num lar, tem já 163 casos confirmados e 12 mortes. Em Paços de Ferreira uma escola básica e uma fábrica de móveis tiveram de ser encerradas devido a 9 casos positivos.
Pelo lado positivo ainda há 21 municípios portugueses sem qualquer caso de infeção, dos quais 15 no Alentejo, mas como são zonas mais isoladas e envelhecidas, onde pode haver afluxo de turistas e emigrantes de férias durante o verão, será preciso especial cuidado para não surgirem focos graves.
A nível internacional há cada vez mais casos, o que confirma que a pandemia continua em crescimento, em especial nas zonas mais pobres do planeta. Só em 24 horas foram confirmados mais de 210 mil novos casos. Depois da polémica com Portugal ter ficado de fora da isenção de quarentena obrigatória para cidadãos que entrem no Reino Unido a partir do nosso país, na noite de sábado a reabertura dos bares em Londres foi festejada com ruas apinhadas de pessoas, alcoolizadas e sem qualquer tipo de prevenção ou distanciamento. Isto causou grande preocupação das autoridades britânicas, que temem um aumento elevado de casos nos próximos dias devido a estes comportamentos.

Cansaço com números que não melhoram

Os portugueses começam a ficar cansados de, dia após dia, os números de novos casos de Covid-19 continuarem sem dar sinal de diminuição, em especial na região de Lisboa e Vale do Tejo. No total voltaram a ser mais de 400 os novos infetados, com cerca de 75% na zona da capital. Entretanto foi divulgada informação científica, confirmada em vários estudos, que os assintomáticos podem transmitir a infeção e são, por isso, um dos maiores riscos.
Não está diretamente relacionado, mas uma corrida ilegal onde a PSP de Leiria apreendeu 42 carros e onde estariam mais de 2500 pessoas sem qualquer respeito pelas recomendações não augura nada de bom em termos de haver um novo foco de infeção na zona Centro nos próximos dias.
A nível internacional vários dos estados do EUA estão em situação cada vez mais catastrófica, e no total está com mais de 60 mil novos casos por dia. Na Flórida, todos os dias há mais de 10 mil novos casos, no Arizona mais de 90% das camas em cuidados intensivos hospitalares estão ocupadas. Na Índia a pandemia parece fora de controlo, em especial no Oeste e Sul do país, e as monções complicam a situação.

Mortalidade assusta, mas recuperação dos sobreviventes não é fácil

A grande preocupação causada pela Covid-19 é o seu nível de mortalidade, mas pouco se tem falado sobre a difícil e longa recuperação dos sobreviventes à doença. Complicações respiratórias e musculares podem persistir durante meses, talvez anos ou até manterem-se para sempre. Isto porque a covid-19 causa vários danos e inflamações, e não só nos pulmões: rins, fígado, coração podem ser afetados. Dificuldades respiratórias são comuns, muitos ficam com a voz afetada ou com dificuldade em engolir. E tudo isto está pouco dependente da idade do paciente.
A notícia do dia em Portugal relacionada com a Covid-19 é o facto dos britânicos que visitarem o país serem obrigados a quarentena quando voltarem para casa. A exclusão de Portugal dos corredores turísticos do Reino Unido pode implicar um enorme rombo na recuperação do turismo nacional. Os Açores e Madeira ficam fora da obrigatoriedade de quarentena.
A nível internacional, os EUA e Brasil continuam e apresentar números impressionantes de novos infetados, mas isso não impediu que no Rio de Janeiro, onde os bares foram autorizados a reabrir, se verificassem aglomerações, desrespeito pelo distanciamento e pelas indicações das autoridades.

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