Segunda vaga parece menos possível, mas nada é garantido

Perante algumas indicações da OMS de que há cada vez menor probabilidade de haver uma segunda vaga da pandemia por coronavírus (o que ainda não está confirmado!), a comunicação oficial falou sobre uma possível grande segunda vaga ou várias outras pequenas vagas: existem vários estudos que indicam vários cenários possíveis, mas há que aguardar.

Uma curiosidade que mereceu destaque na comunicação oficial: sempre que há uma grande epidemia, descobrem-se pessoas “super-contagiosas” ou seja, que tiveram a capacidade de transmitir a doença a muitas pessoas. Esta capacidade tem muitas vezes a ver com circunstâncias da vida da própria pessoa, nomeadamente a nível social, como por exemplo frequência de viagens ou participação em eventos.

Zona de Lisboa e Vale do Tejo continua a ser acompanhada com muita atenção. Na Sonae MC Distribuição na Azambuja realizaram-se até à data 346 testea, dos quais 121 tiverem resultado positivo.  Não há alteração de resultados nas outras empresas onde foram realizados testes (2 positivos numa empresa e 3 noutra mantêm-se). Ainda na zona de Lisboa e Vale do Tejo também têm sido realizados testes em obras (contrução civil): têm sido encontrados trabalhadores positivos e têm sido tomadas medidas em conformidade.

É prematuro e precoce poder associar o aumento de crianças internadas com Covid-19 no Hospital Dona Estefânia com o desconfinamento, já que o hospital recebe crianças de várias regiões e países (Sul de Portugal e PALOP,). O internamento em pediatria (a nível nacional) acompanha a tendência decrescente do país, com exceção de 3 crianças com origem no Alentejo internadas no referido hospital.

Foi também esclarecido que podem existir pequenas diferenças no número de óbitos novos a cada dia. Tal deve-se à precisão do certificado de óbito após a chegada de um resultado laboratorial de um teste à Covid-19. A nova metodologia de contagem de recuperados deve-se a melhoramento de processos e meios, nomeadamente através da plataforma TraceCovid. Nesta foram introduzidos dados de doentes que estavam a ser acompanhados em domicílio e, desde o dia 17 de abril, é possível colocar informação relativa à recuperação do doente.

Desinformação acusa 5º geração de redes móveis (que não existe)

A maior onda de desinformação relacionada com a Covid-19 é a que responsabiliza a futura rede de 5ª geração (conhecida por 5G) de telefonia móvel pelo surgimento de casos. É totalmente incorreto que exista correlação entre antenas de rede móvel (de qualquer geração, sendo que em Portugal estão ativas as 2G, 2.5G, 3G e 4G) e o surgimento de casos de Covid-19. Continuam a circular notícias falsas sobre a ligação da rede móvel, nomeadamente 5G (que ainda não existe, nem sequer em testes, na maioria dos países), as suas antenas e a Covid-19. Estas acusações não são baseadas em nenhuma evidência científica, não existindo qualquer tipo de ligação entre ambas as realidades.

O medo de uma segunda vaga da pandemia é um dos maiores geradores de desinformação, e supostas notícias catastróficas vindas da China e do Japão são completamente incorretas, pois não está a ocorrer uma segunda vaga do vírus nesses países. Não obstante ter surgido um pequeno surto na zona de Jilin, na cidade de Shulan, que levou a medidas preventivas de confinamento por parte do governo chinês, os números até ao momento não indicam o surgimento de uma nova vaga de coronavírus, em parte porque a nível mundial já se identificaram as medidas mais eficazes para evitar a sua propagação.

É também incorreta a informação de que os polícias são imunes à Covid-19. Tal como acontece com qualquer outro ser humano, já morreram membros das Forças de Segurança devido à Covid-19 em diversos países, um pouco por todo o mundo.

Nas últimas 24 horas foram publicados, nas páginas de Facebook portuguesas, um total de 1350 conteúdos referentes ao coronavírus, os quais geraram quase 160 mil interações (‘likes’, comentários e partilhas). Pelo menos três temas aparecem repetidamente nesta tabela das 20 publicações com mais interações: o caso dos dois bebés que lutam contra a Covid-19 nos cuidados intensivos, o facto de a cidade do Porto não ter novos casos há três dias e a história de um terço gigante desenhado nos campos agrícolas de Arouca como proteção contra o vírus.

Individualmente, a publicação com mais interações nas últimas 24 horas corresponde ao programa “A Cor do Dinheiro”, no qual Camilo Lourenço se refere à questão de remuneração dos enfermeiros, com mais de 12 mil interações. O segundo é um vídeo da Direção-Geral da Saúde com um guia para as crianças sobre a pandemia (com sete mil interações) e o terceiro é a boa nova de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, acerca do facto de não haver novos casos há três dias consecutivos (com 5400 interações).

Nos grupos de Facebook dedicados à Covid-19 foram publicados nas últimas 24 horas 283 conteúdos, que geraram quase seis mil interações. Há várias publicações revelando preocupações com a frequência das praias e com as consequências que isso pode ter, assim como publicações a propósito dos dois bebés com coronavírus que já foram referidos.

No Twitter, o dia de ontem viu a publicação de 1305 tweets e 1350 retweets sobre o coronavírus. O pico, como habitualmente, foi atingido às 13h, por ocasião da conferência de imprensa da Direção-Geral de Saúde. A conta desta entidade aparece por isso também na lista das contas com mais retweets e, portanto, mais influenciadoras da “conversa” no Twitter. Os utilizadores que tweetaram e retweetaram mais frequentemente sobre o tema foram @marciojmsilva, a SIC Notícias e a conta @LigaAoFilipe.

Homenagem a mil mortos no topo das pesquisas

O jornal “The New York Times” dedicou a sua primeira página a mil vítimas da Covid-19, sendo a página é preenchida com pequenos obituários. Isto levou a que fosse um dos termos mais pesquisados ontem, em Portugal, ao ter em conta as pesquisas de alguma forma relacionadas com a Covid-19 e o coronavírus.

Guerra Fria foi um termo com um número considerável de pesquisas, que possivelmente se devem à vontade de saber mais sobre a relação China – EUA, após a notícia das declarações do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, que alertou para que as posições de “certas forças políticas norte-americanas” sobre a origem do novo coronavírus estão a colocar os dois países “à beira de uma nova Guerra Fria”, tornando “reféns” as relações entre os dois países” (in Público).

A ministra da Saúde, Marta Temido, esteve também entre os nomes mais pesquisados, sobretudo pelas suas declarações em relação à proibição de concentrações de adeptos para verem futebol.

ÚLTIMOS ARTIGOS

Artigos Relacionados

Medidas do Governo, medicamentos e entidades oficiais encabeçam as pesquisas relacionadas com a Covid-19

As pesquisas realizadas em Portugal, durante os últimos quatro meses, dão-nos pistas sobre as preocupações, as necessidades de esclarecimento e procura de informação acerca...

Desde 9 de maio, início deste projeto, que os psicanalistas da Sociedade Portuguesa de Psicanálise se envolveram na tarefa de criar pequenos textos, nos quais a vivência subjetiva do momento ganhasse forma em palavras, em pequenos textos de variados ritmos, recorrendo frequentemente à arte expressa por escritores e poetas. Falaram sobre o medo, o tempo suspenso, a morte, a angústia, a esperança, a criatividade, o amor, a solidariedade e o cansaço. Falaram também da violência humana e da injustiça, do sentimento de impotência e de ilusão.
Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
Este foi um dos projetos em que nos envolvemos por acreditarmos que a Psicanálise pode e deve participar mais activamente na comunidade, nomeadamente, em momentos em que o Ser Humano é obrigado a sofrer e a realizar alterações tão profundas na sua vida.
Falámos de pesadelos e de histórias tranquilizadoras, da criatividade e generosidade humanas e muito, mas muito, do desejo de saber e de participarmos na construção do pensamento e do conhecimento. E não há conhecimento sem verdade, por mais dolorosa que ela seja. Desistir das falsas ilusões é conhecer a realidade e poder criar e lutar por sonhos, ainda que por vezes estes possam parecer utopias.
“Transformar é Viver” significa para nós que Viver é sempre Transformar, mesmo quando não temos consciência de o estarmos a fazer.
Até sempre!

Covid-19 foi ‘explosivo’ nas redes sociais mas perdeu impacto ao longo do tempo

Entre o início de março e o final e julho monitorizámos as redes sociais Facebook e Twitter para tentar perceber como é que a...