Poucas notícias e alertas para o outono

Não foi dia de boas nem más notícias, pelo menos comparando as novas infeções e mortes de Covid-19 com os dias anteriores. Mais uma vez perto dos 350 novos infetados, na maioria na periferia norte de Lisboa, e oito mortos. Há ainda cerca de 200 casos que não tinham sido contabilizados entre 30 de junho e 3 de julho e aparecem pela primeira vez na contagem oficial.

Num sábado de calor, alguns problemas surgiram em várias praias fluviais, que esgotaram a sua capacidade ainda de manhã cedo, obrigando a GNR a intervir para acalmar os ânimos daqueles que já não tinham lugar, de acordo com as normas de distanciamento em vigor.

A nível internacional tudo piora de dia para dia, com EUA (mais de 65 mil) e Índia (mais de 27 mil) a baterem recordes diários de novas infeções, e o total mundial de infetados confirmados a aproximar-se dos 12,5 milhões.

Os especialistas alertam para a necessidade de, além de lutar contra a pandemia agora, ser necessário começar a antecipar o outono, altura em que a pandemia pode piorar. Uma medida que tem vindo a ser cada vez mais repetida é a generalização de obrigatoriedade de uso de máscara em todas as situações, ou seja, que cada cidadão se comporte como se estivesse infetado. Esta estratégia é a mesma que foi posta em prática em relação à Sida nos anos 90, ou seja, assumir que o uso de preservativo é obrigatório em todas as situações, e com excelentes resultados no controlo da doença.

Comer não contagia

Medo de contágio e teorias da conspiração são típicas da desinformação, e hoje não é exceção. Se tem medo de ser contagiado com Covid-19 a partir da ingestão de alimentos importados, fique a saber que essa informação é incorreta. Um alerta recente das autoridades chinesas sobre a identificação de Covid-19 em alimentos importados da América do Sul e da Europa levou à divulgação nas redes sociais da reivindicação de que esta poderá ser uma nova fonte de contágio. No entanto, e até ao momento, a Organização Mundial de Saúde destaca que não há registos de contágio através da ingestão de alimentos, sendo que a única possibilidade de infeção poderá estar no seu manuseamento. Mesmo nesse caso, considera-se altamente improvável, sobretudo em embalagens que já estiveram longos dias em transporte e em diferentes condições de temperatura e humidade, que o vírus permaneça presente e com capacidade de contágio.

É igualmente incorreta a suposta informação de que a Covid-19 terá matado 21 milhões de pessoas na China. A reivindicação sustenta-se no cancelamento de subscrições telefónicas na China, dizendo que houve 21 milhões de cancelamentos que terão sido resultado de um número igual em mortes que o governo chinês tentou encobrir. A existência destes cancelamentos entre fevereiro e março é verdadeira, sendo que 14 milhões reataram desde então. Especialistas defendem que estes cancelamentos se deveram às circunstâncias económicas, sendo que na China existem mais subscrições do que pessoas, com muitas pessoas a terem dois cartões de telemóvel (como em Portugal). No entanto, as plataformas de fact-checking que avaliaram os dados também são unânimes em reconhecer que o número de mortes na China será provavelmente superior ao oficial (mas nunca ao nível de milhões), e que este número de subscrições canceladas poderá refletir em parte essa mortalidade.

Quanto ao mito de que as vacinas da gripe contêm anticorpos contra os coronavírus, é igualmente incorreto.  As vacinas para a influenza não contêm anticorpos contra os coronavírus, ao contrário das reivindicações que circulam em algumas publicações nas redes sociais.

Cansaço leva cidadãos a procurar inspirações

Nas últimas 24 horas, as páginas de Facebook portuguesas partilharam 1019 conteúdos contendo referências à Covid-19, os quais geraram um total de 113 mil interações, entre “gostos”, comentários e partilhas. Curiosamente, as três publicações mais populares de hoje são todas diferentes e apenas indiretamente relacionadas com a pandemia: uma publicação da página humorística “Pérolas da Urgência”, uma publicação religiosa da página “Custódios de Maria” face ao coronavírus, e uma publicação da Câmara Municipal de Lisboa sobre a pintura de ruas na capital em tempos de Covid-19.

No resto dos 20 posts mais populares das últimas 24 horas, o leque de assuntos abordados é também muito diversificado e vai desde formas divertidas de matar o coronavírus até diretos políticos, passando por informações sobre possíveis curas ou agravamentos da doença.

Nos grupos de Facebook dedicados ao Covid-19 foram publicados no mesmo período 154 conteúdos referentes à Covid-19, com um total de 1556 interações (‘likes’, comentário s e partilhas). Os temas abordados também se pautam pela diversidade, com destaque para a atualização dos números, a questão dos ajuntamentos em Coimbra e a possibilidade de existir coronavírus em camarão importado do Equador.

Ontem não houve pesquisas relacionadas com a Covid-19 nos 20 termos mais pesquisados em Portugal, no Google.

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Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
Este foi um dos projetos em que nos envolvemos por acreditarmos que a Psicanálise pode e deve participar mais activamente na comunidade, nomeadamente, em momentos em que o Ser Humano é obrigado a sofrer e a realizar alterações tão profundas na sua vida.
Falámos de pesadelos e de histórias tranquilizadoras, da criatividade e generosidade humanas e muito, mas muito, do desejo de saber e de participarmos na construção do pensamento e do conhecimento. E não há conhecimento sem verdade, por mais dolorosa que ela seja. Desistir das falsas ilusões é conhecer a realidade e poder criar e lutar por sonhos, ainda que por vezes estes possam parecer utopias.
“Transformar é Viver” significa para nós que Viver é sempre Transformar, mesmo quando não temos consciência de o estarmos a fazer.
Até sempre!

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