Pandemia ultrapassa os 14 milhões de infetados

Enquanto em Portugal a preocupação continua focada na persistência das novas infeções, dia após dia na casa dos 300 casos, no Mundo ultrapassou-se a barreira dos 14 milhões de infeções desde o início da pandemia. E apenas nos últimos três dias foram registados mais de um milhão de novos casos, o que mostra que continua em crescimento exponencial.

Acresce a estes números impressionantes o consenso internacional de que o número de casos diagnosticados é apenas uma parte relativamente pequena do total real de infeções, devido a diversos motivos. Por um lado, há países a testar apenas casos graves e/ou com internamento hospitalar, outros que não agregam ou relatam a totalidade de casos, muitos sem recursos e com pouca capacidade de rastreamento, e todos os infetados assintomáticos que, não sendo testados, não sabem que têm coronavírus mas continuam a ser disseminadores da doença.

Em Portugal não há hoje novidade de registo excecional: mais 313 casos de infeção, dos quais 77% na região de Lisboa e Vale do Tejo. E uma boa notícia, mesmo que pequena: afinal há apenas 4 infetados na GNR de Bragança, e não 56, como tinha ontem sido divulgado.

Mas não é só em Portugal que a situação não melhora. França vai tornar obrigatório o uso de máscara em lojas e bancos (como já é em Portugal) devido à subida das novas infeções. Espanha recua no desconfinamento perante a ameaça de uma nova onda de infeções, depois de ontem ter tido o crescimento de casos mais alto desde 8 de maio, com 628 novas infeções em 24 horas.

Mas é nos países mais pobres que os números se avolumam. A Índia teve perto de 35 mil infeções num dia, mas, como em todo o mundo, as autoridades afirmam que os números reais devem muito maiores, em especial devido a não conseguirem testar tanto como seria necessário. Mesmo com mais de 300 mil testes por dia, os especialistas alertam ser provável que a Índia tenha uma série de picos de infeção, à medida que o coronavírus se espalha pelas áreas rurais.

Do Irão vêm informações ainda mais alarmantes, com o Presidente do país a afirmar que é possível que 25 milhões de iranianos possam ter sido infetados desde fevereiro, e que outros 30 a 35 milhões de pessoas serão expostas ao vírus nos próximos meses, levando a uma duplicação das hospitalizações.

Vacinas voltam a ser alvo da desinformação

Os ativistas anti-vacinas e a desinformação que põe em causa figuras públicas relevantes na luta contra pandemia não param de tentar pôr em causa a luta contra a Covid-19.

Se leu ou ouviu que a vacina da gripe espanhola matou 50 milhões de pessoas, incluindo dezenas de milhar em Portugal, fique a saber que isso é totalmente incorreto. A pandemia conhecida como gripe espanhola surgiu em 1918, tendo sido a causa de morte de cerca de 50 milhões de pessoas, com taxas de mortalidade mais altas em crianças com menos de 5 anos, adultos entre os 20 e 40 e pessoas com mais de 65 anos. Em 1918, não havia vacina para a gripe, nem tinha sido identificado o agente causador (um vírus). Aliás, o primeiro vírus só foi identificado em 1930, e foi o vírus do mosaico do tabaco. As primeiras vacinas da gripe surgiram já nos anos 1940, e não há registo de mortes associadas ao seu uso.

Da mesma forma, se viu uma fotografia de Barack Obama e Anthony Fauci afirmando que ambos estiveram no instituto virológico de Wuhan em 2015, fique a saber que a afirmação é totalmente incorreta. Uma imagem viral que circula nas redes sociais mostra o antigo presidente norte-americano, Barack Obama, e o Dr. Anthony Fauci, o responsável por doenças infeciosas na Casa Branca, num laboratório. A legenda que acompanha a imagem identifica o local como sendo o Instituto Virológico de Wuhan, afirma que a foto foi tirada em 2015, e acrescenta que Melinda Gates – esposa de Bill Gates – também surge na fotografia. A reivindicação contida nesta legenda não tem nada de verdadeira. A foto foi tirada em Maryland, em 2014, e Melinda Gates nem surge na imagem.

Por fim, também não acredite que se duas pessoas num espaço fechado usarem máscara a probabilidade de contágio se reduz para 1,5%, pois esse dado é impreciso. Uma iconografia em mandarim está a ser fortemente partilhada nas redes sociais, indicando que quando 2 pessoas estão a usar máscara, o risco de contágio se reduz para 1,5%. Especialistas contatados pela AFP destacam que, embora não existam dúvidas da eficácia do uso de máscaras em reduzir o contágio, não há ainda estatísticas oficiais dessa percentagem. A redução do risco de contágio depende de várias outras variáveis, nas quais se destaca o seguimento das indicações gerais das autoridades de saúde.

Bebé infetada na gravidez fera atenção

Nas últimas 24 horas, as páginas de Facebook em Portugal publicaram 931 conteúdos com referências à Covid-19, das quais resultaram 73 mil interações (‘likes’, comentários e partilhas). O tema que suscitou mais interesse durante esse período foi o nascimento da primeira bebé infetada com Covid-19 durante a gravidez em Portugal. O Correio da Manhã registou a publicação mais popular com essa notícia, mas a TVI, a TVI24 e o Jornal de Notícias também chegaram ao top20 com esse tema. A segunda publicação mais popular voltou a ser uma “anedota” irónica da página “Pérolas da Urgência”, e a terceira – do jornal Público – repete um tema que já tinha sido popular ontem: o abate de quase 100 mil martas numa quinta em Espanha devido à Covid-19.

No resto da tabela das 20 publicações mais populares são de destacar também os temas dos 56 militares da GNR infetados no comando de Bragança (que afinal são só 4) e o balanço do dia epidemiológico, com mais duas mortes e 313 novos casos.

Nos grupos de Facebook dedicados à Covid-19 foram publicados 129 conteúdos nas últimas 24 horas, os quais resultaram em 1433 interações (‘likes’, comentários e partilhas). Os temas são muito diversificados, mas incluem a habitual resenha dos números divulgados pela Direção-Geral da Saúde.

Entre os 20 termos mais pesquisados, em Portugal, no Google, encontramos dois relacionados com a Covid-19: Martas e Ventilador.

A expressão Martas aparece, possivelmente, na sequência das notícias sobre o abate de mais de um milhão de martas em Espanha e nos Países Baixos por causa de surtos de coronavírus. Isto aconteceu em quintas de criação de martas, cujas peles são utilizadas pela indústria de vestuário. Os primeiros abates foram anunciados em maio, nos Países Baixos, enquanto os abates em Espanha tornaram-se públicos esta semana.

A pesquisa por Ventilador tem por base o anúncio de que um ventilador pulmonar desenvolvido em Portugal, pelo CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento, recebeu autorização do Infarmed para ser usado em contexto hospitalar na luta contra a Covid-19.

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