Menos otimismo enquanto já se prepara o inverno

Após quatro dias otimistas, hoje os infetados voltaram a crescer para cima dos 300, com 313 novos casos em Portugal, dos quais 80% na região de Lisboa, área que concentra 68% dos casos ativos, número que tem vindo a reduzir-se, segundo a comunicação oficial do dia.

Os números de Lisboa têm explicação parcial em algumas situações de novos surtos. O total nacional contabiliza 198 surtos, dos quais 127 em Lisboa e Vale do Tejo. Segundo as autoridades de saúde, a evolução da situação em Portugal continua a merecer acompanhamento, mas é positiva.

A taxa de incidência nos últimos 7 dias é de 15,7 novos casos por 100 mil habitantes, situando Portugal, relativamente a este indicador, num padrão confortável. Porém, o trabalho deve continuar. A média nacional do Rt (16 a 20 de julho) é de 0,92.

Olhando para o futuro, a DGS, em consonância com o plano de inverno, está a preparar nova política de testagem nacional. A específica para os profissionais de saúde será atualizada.

Na preparação do plano de inverno, está refletida a preocupação com ser um período de gripe, e contempla uma série de medidas que, se todos aderirem, também serão eficazes na prevenção não só da Covid-19 mas também de um conjunto de outros vírus respiratórios.

Sobre uma eventual alteração dos estados em vigor na zona de Lisboa e Vale do Tejo, a Ministra da Saúde recordou que a sua avaliação é feita pelo Conselho de Ministros a cada 15 dias, e a sua alteração dependerá da consolidação dos dados.

Ao contrário de alguma expectativa, Portugal continental continua fora da lista do Reino Unido de destinos seguros. A nível internacional, os EUA chegaram aos 4 milhões de infetados. Em todo o mundo, já foram identificados mais de 15,5 milhões de casos e morreram 633 mil pessoas.

O medo é o pior inimigo da humanidade

Sempre com o objetivo de criar medo ou desacreditar cientistas e organizações, a desinformação tem como principais alvos as máscaras, as regras de prevenção e as entidades internacionais e nacionais.

Pela enésima vez, circulam informações de que as máscaras podem ser perigosas para a nossa saúde, o que é totalmente incorreto. As publicações contra o uso de máscaras, alegando que representam um perigo para a saúde e até causam a morte continuam a surgir, não obstante as opiniões dos especialistas e dezenas de verificações de factos que esclarecem que as máscaras certificadas ou caseiras, dos materiais recomendados pela OMS, não causam hipercapnia, hipoxia ou qualquer outro efeito secundário grave relacionado com a intoxicação de dióxido de carbono, alteração do Ph do sangue ou aumento da tensão arterial.

Não há igualmente provas de existirem casos em que o período de incubação pode chegar a 1 mês. Publicações que dão conta de um período de incubação do coronavírus de 1 mês circulam nas redes sociais, mas de facto todos os estudos cientificamente validados e a OMS apontam para períodos menores, que chegam, no máximo, aos 14 dias. No entanto, sendo uma nova doença e com muito por conhecer, é possível que esses casos ocorram, não havendo até ao momento registo validado dos mesmos.

É igualmente incorreto que a OMS aprovou uma vacina chinesa em detrimento de outras. Publicações que incluem declarações não reais de representantes da OMS, dizem que a organização aprovou a venda de uma vacina chinesa para a Covid-19 em detrimento de outras. Para além das declarações serem fabricadas, como destaca o Observador, todas as vacinas se encontram ainda em fases de teste, não existindo nenhuma preferência baseada no país onde a investigação se desenvolve.

Coronavírus e férias não rimam

Nas últimas 24 horas, a publicação mais em destaque no Facebook sobre a Covid-19 foi emitida pela Direção-Geral de Saúde, avisando os utilizadores que o vírus não tira férias e que as mesmas regras de proteção e distanciamento devem ser mantidas. Esta publicação suscitou quase 20 mil interações, incluindo 13 mil ‘likes’ e mais de 5800 partilhas. O segundo lugar do pódio é ocupado pela atriz e modelo Sara Prata, que deixou o hospital depois de ter sido mãe em plena época de pandemia. A terceira publicação com mais interações deste ranking ficou para a Marinha Portuguesa, com a notícia de que um elemento de uma das tripulações testou positivo.

No resto da tabela das 20 publicações com mais ‘likes’, comentários e partilhas, encontramos alguns temas recorrentes, repetidos em várias publicações: os mais de mil novos casos em França; os emigrantes que hesitam em viajar para Portugal; uma menina belga de três anos que morreu infetada; os 300 mil portugueses que aparentemente já desenvolveram anticorpos; e, por fim, outra vez Bolsonaro, que apesar de infetado não respeita qualquer medida de segurança e foi visto a passear de moto e a conversar com funcionários sem usar máscara. No total, foram publicados, nas últimas 24 horas, 1126 conteúdos relacionados com a pandemia, os quais suscitaram 102 mil interações.

Nos grupos de Facebook dedicados à pandemia, o mesmo período suscitou um total de 122 publicações, com 972 interações (‘likes’, comentários e partilhas). A publicação da Direção-Geral da Saúde sobre as férias também colheu interesse por aqui, mas os restantes assuntos são todos muito diversificados.

Entre os 2 termos mais pesquisados em Portugal ontem, no Google, Tomar é o único relacionado com a Covid-19. A pesquisa pelo nome da cidade está relacionada com um foco da doença numa empresa de transformação de carnes onde, de um total e 206 trabalhadores, 40 testaram positivo para o coronavírus. o surto já tinha sido detetado terça-feira, mas o número de casos conhecidos aumentou nesta quinta.

ÚLTIMOS ARTIGOS

Artigos Relacionados

Medidas do Governo, medicamentos e entidades oficiais encabeçam as pesquisas relacionadas com a Covid-19

As pesquisas realizadas em Portugal, durante os últimos quatro meses, dão-nos pistas sobre as preocupações, as necessidades de esclarecimento e procura de informação acerca...

Desde 9 de maio, início deste projeto, que os psicanalistas da Sociedade Portuguesa de Psicanálise se envolveram na tarefa de criar pequenos textos, nos quais a vivência subjetiva do momento ganhasse forma em palavras, em pequenos textos de variados ritmos, recorrendo frequentemente à arte expressa por escritores e poetas. Falaram sobre o medo, o tempo suspenso, a morte, a angústia, a esperança, a criatividade, o amor, a solidariedade e o cansaço. Falaram também da violência humana e da injustiça, do sentimento de impotência e de ilusão.
Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
Este foi um dos projetos em que nos envolvemos por acreditarmos que a Psicanálise pode e deve participar mais activamente na comunidade, nomeadamente, em momentos em que o Ser Humano é obrigado a sofrer e a realizar alterações tão profundas na sua vida.
Falámos de pesadelos e de histórias tranquilizadoras, da criatividade e generosidade humanas e muito, mas muito, do desejo de saber e de participarmos na construção do pensamento e do conhecimento. E não há conhecimento sem verdade, por mais dolorosa que ela seja. Desistir das falsas ilusões é conhecer a realidade e poder criar e lutar por sonhos, ainda que por vezes estes possam parecer utopias.
“Transformar é Viver” significa para nós que Viver é sempre Transformar, mesmo quando não temos consciência de o estarmos a fazer.
Até sempre!

Covid-19 foi ‘explosivo’ nas redes sociais mas perdeu impacto ao longo do tempo

Entre o início de março e o final e julho monitorizámos as redes sociais Facebook e Twitter para tentar perceber como é que a...