Infetados caem, mas não há solução à vista

Apesar de uma queda no número de novos infetados com o coronavírus, não há solução à vista para conter a pandemia em Portugal. Quase 230 casos, dos quais mais de 80% na região de Lisboa, e 8 mortes não permitem otimismo a curto prazo.

No setor hospitalar há relatos de hospitais sobrecarregados (nomeadamente o amadora-Sintra) e com novos surtos (Egas Moniz, com 11 profissionais infetados).

Talvez por isso o discurso político está a tornar-se mais ativo e crítico, nomeadamente por parte de Fernando Medina que, enquanto comentador, pôs em causa a atuação das entidades oficiais (incluindo aquelas nas quais tem responsabilidades políticas). Sendo claro e muito criticado por diversos profissionais e analistas que as falhas de comunicação são um dos grandes problemas para a contenção da pandemia, talvez fosse o momento de acertar agulhas e ter um discurso coerente e sem ambiguidades, pois sem a colaboração generalizada dos cidadãos parece impossível erradicar o vírus.

Positivo para os infetados é que o Orçamento Suplementar do Estado vai pagar baixas médicas a 100% em caso de Covid-19. Também todos os bombeiros das 19 freguesias em confinamento na zona de Lisboa vão ser testados.

Amanhã serão abertos os voos com destino à Europa a partir dos restantes continentes, mas com restrições. Na verdade, só são aceites a partir de 15 origens e excluem, por exemplo, os EUA, o Brasil e os Palop. No caso de Portugal, viajantes provenientes destes países são aceites, mas devem apresentar um teste à Covid-19 negativo.

Notícia que pode ser preocupante (mas ainda à espera de confirmação) é que foi detetado um novo vírus da gripe suína, similar a um identificado em 2009 que, se se propagar entre humanos, pode provocar nova pandemia.

Vacinas são grande alvo de desinformação

Na desinformação, um dos maiores alvos são as vacinas (que ainda não existem) para a Covid-19. Sem dúvidas, é totalmente incorreto que existem vacinas para a Covid-19 que causam infertilidade. A reivindicação circula nas redes sociais e alega que um delator da farmacêutica GSK revela que a nova vacina para o coronavírus que estão a desenvolver vai conter substâncias que causam infertilidade a 97% dos que a tomarem, num plano mundial para restringir o crescimento populacional. A reivindicação é falsa, os factos contidos nela não correspondem a estudos reais existentes e do conhecimento público, e trata-se na sua maioria de uma transcrição de documentos dos anos 1990, divulgados na Índia, que põem em causa as vacinas.

Da mesma forma, é impreciso a afirmação que as pessoas infetadas com Covid-19 ficam com a garganta vermelha e quase em sangue. Imagens de gargantas vermelhas, muito infetadas, circulam nas redes sociais com a indicação de que se trata de doentes com Covid-19. No entanto, as fotografias identificadas são antigas e não correspondem a doentes infetados com Covid-19, apesar da sintomatologia se poder manifestar também na garganta.

Igualmente impreciso é a afirmação que a taxa de suicídios aumentou 200% desde o início da pandemia. A questão surge no Reino Unido, depois de circular nas redes sociais uma reivindicação de que as mortes por suicídio tinham aumentado em 200%. No caso britânico, como no português, não existem provas deste aumento, dado que as estatísticas oficiais apenas são divulgadas posteriormente. Isto dá a indicar que este valor pode ter sido divulgado informalmente por alguém com acesso, ou ser uma mera especulação, tendo em conta que as chamadas para as linhas de apoio psicológico sofreram esse aumento, no caso do Reino Unido.

Facebook entre a esperança e o humor

Nas últimas 24 horas foram publicados, nas páginas de Facebook portuguesas, 1783 conteúdos referentes à Covid-19, os quais geraram um total de 110 mil interações. A publicação que suscitou mais interesse foi um vídeo em que Camilo Lourenço se refere a um futuro medicamento contra a doença e sobre a polémica em Lisboa, com 11 mil interações (‘likes’, comentários e partilhas). A segunda publicação mais popular é da RFM e faz um trocadilho com as férias em Bali e a Covid-19. E a terceira é uma publicação da Direção-Geral da Saúde com recomendações de higiene respiratória.

No resto da tabela das 20 publicações mais “gostadas”, comentadas e partilhadas, destaque para a afirmação do secretário-geral da Organização Mundial de Saúde, segundo o qual o pior da pandemia ainda está para vir. Esta afirmação teve repercussões em várias páginas de Facebook. Mas há uma festa da TVI, em Gaia, durante a qual, aparentemente, as pessoas não mantiveram as distâncias de segurança, que também é referida mais do que uma vez. Por fim, uma nota para a notícia de que um novo vírus da gripe, com potencial pandémico, que terá sido descoberto na China.

Nos grupos de Facebook dedicados à Covid-19, as últimas 24 horas trouxeram 158 publicações com um total de 1734 interações. A referida afirmação de que o pior da pandemia ainda está para vir e o perigo de um novo vírus vindo da China também são referidos, mas os restantes temas abordados nestes grupos são diversificados.

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