Infeções mantêm-se maioritárias na zona de Lisboa

A maioria dos novos casos continua a registar-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, que é aquela que continua a inspirar maior atenção. Na comunicação oficial, o Secretário de Estado da Saúde voltou a reforçar a mensagem de que não há sobrecarga nos hospitais, pois existe capacidade de resposta e elasticidade da rede de cuidados intensivos. A isto acrescente-se que 3143 profissionais de saúde que foram infetados já estão recuperados.

A DGS esclareceu ter havido uma coerência nas medidas que têm sido tomadas de acordo com as melhores evidências disponíveis à data. Afirmou que desde o primeiro dia recomendaram o distanciamento físico, a higienização das mãos e a etiqueta respiratória. Quando ficou consolidada a mais-valia da complementaridade do uso de máscara, esta foi recomendada.

Rui Portugal, coordenador do gabinete regional de intervenção em Lisboa e Vale do Tejo para a Supressão da Covid-19, indicou que a ação do gabinete passa pela notificação rápida após o diagnóstico, identificação rápida dos contactos próximos e determinação de isolamento de casos positivos e dos seus contactos.

A DGS voltou a apelar aos profissionais de lares para cumprirem regras de forma a minimizar a probabilidade de contágio. Assim como a necessidade de os lares alertarem rapidamente a autoridade de saúde caso sejam detetados casos.

O Secretário de Estado da Saúde indicou que a média de ocupação nos transportes públicos em Lisboa e Vale do Tejo é entre 40 e 45%, admitindo que algumas viagens são mais sobrecarregadas. Estão a ser procuradas soluções e medidas que possam ser implementadas.

Quanto à presença de público na fase final da Liga dos Campeões, em Lisboa, depende da evolução da pandemia. Nesta fase, de acordo com a situação atual, não está equacionado público nas competições.

Desculpas, disparates e mitos

Se procura desculpas para não usar máscara – e dessa forma não proteger outros cidadãos – escusa de tentar obter um suposto cartão emitido pelas autoridades de saúde para isenção do uso de máscara, pois essa informação é totalmente incorreta. Não existe até ao momento nenhum cartão oficial para pessoas que estão isentas do uso obrigatório de máscara em qualquer país, mas existem exceções previstas nas leis de cada país, que têm de ser devidamente comprovadas mediante documentação específica. No caso de Portugal a obrigatoriedade é dispensada mediante a apresentação de:

a) Atestado Médico de Incapacidade Multiusos ou declaração médica, no caso de se tratar de pessoas com deficiência cognitiva, do desenvolvimento e perturbações psíquicas;

b) Declaração médica que ateste que a condição clínica da pessoa não se coaduna com o uso de máscaras ou viseiras.

No campo dos disparates que circulam nas redes sociais, um recorrente é que, quando houver vacina, ela será feita a partir de células de fetos abortados. Isto é totalmente incorreto e não é novo. A narrativa já circula nos meios anti vacinas há vários anos e foi recentemente recuperada em Espanha por um sacerdote, conforme noticia o Polígrafo, que destaca que a informação é falsa, embora nos anos 1960 e 1970 tenha havido testes em vacinas em que foram usadas estas células.

Quanto aos mitos, não há alimentos que nos protejam do coronavírus. Por isso afirmar que adicionar picante à comida reduz probabilidade de contágio do coronavírus é totalmente incorreto. A comida picante, quer usando piripiri, pimenta ou outra substância similar, não reduz a probabilidade de contágio do coronavírus, destacando-se que até ao momento não existem ainda certezas quanto ao contágio através da ingestão de alimentos, mas apenas através do seu manuseamento.

Facebook recetivo a vídeo da DGS para jovens

Nas últimas 24 horas, os grupos de Facebook em Portugal publicaram 1740 conteúdos relativos à pandemia de Covid-19, os quais geraram 141 mil interações, entre ‘likes’, comentários e partilhas. Camilo Lourenço referiu-se ao tema no seu ‘live’ diário no Facebook e com isso conseguiu 12 mil interações. A Direção-Geral da Saúde produziu um vídeo especialmente destinado aos jovens, com o lema “Contagia os outros com alegria, não com o vírus”, e essa publicação obteve mais de cinco mil ‘likes’, comentários e partilhas. Por fim, a SIC Notícias noticiou os alarmantes números de domingo em Portugal – três mortes e 457 novos casos – e chegou ao Top3.

Aliás, este tema – o número de novos casos em Portugal – é claramente aquele que mais preocupa a comunidade do Facebook em Portugal: para além da referida publicação da SIC Notícias, há outras seis no Top20 referentes ao mesmo tema. Nesse top mais alargado surgem também publicações relativas ao facto de só o concelho de Lisboa já ter mais infetados do que a Grécia. O mesmo para o surto nos bombeiros de Queluz. O Hospital de Guimarães, por seu lado, também é referido, mas por já não ter doentes nos cuidados intensivos. O que demonstra que, nesta matéria, estamos cada vez mais num país a duas velocidades.

Nos grupos de Facebook dedicados à Covid-19 os temas que mais preocupam os utilizadores são diversificados, mas a maioria vai desembocar nessa mesma questão: o aumento do número de casos em Portugal, em particular na região de Lisboa. No total, nas últimas 24 horas foram publicados nestes grupos 134 conteúdos sobre o tema, gerando 1724 interações.

Na véspera de S. Pedro, o último dos Santos Populares a ser celebrado em junho, este é um dos temas relacionadas com a Covid-19 que chega ao top 20 dos termos mais pesquisados em Portugal. As pesquisas centraram-se em S. Pedro para perceber as proibições e alertas dados, sobretudo nos concelhos onde se celebra este Santo Popular, como Sintra, Montijo ou Póvoa de Varzim. Os autarcas destes concelhos deixaram pedidos à população para que não se concentrasse em aglomerados nas ruas, e para que as festas sejam adiadas para o próximo ano.

O outro termo relacionado mais pesquisado, relacionado com a Covid-19, foi “Somos Portugal“, o programa da TVI que tem emissões pelo país fora. Desta vez, a polémica surge por causa de um vídeo que mostra que aquando da passagem do camião móvel da TVI há várias pessoas aglomeradas junto à estrada.

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