Grande redução de novas infeções causa expectativa

Em dia de grande redução de novas infeções (apenas 135, o valor mais baixo desde 11 de maio), não houve grandes novidades na comunicação oficial sobre a pandemia. A taxa de incidência da doença nos últimos sete dias é de 19 por 100 mil habitantes, valor que a Ministra da Saúde considera encorajador. O Rt, calculado entre 12 e 16 de julho, é de 0,97. Ao longo do tempo está numa trajetória de decréscimo.

Há 206 surtos ativos: 41 na região Norte, 11 no Centro, 131 em Lisboa e Vale do Tejo, 10 no Alentejo e 13 no Algarve. No caso da Covid-19, a DGS considera um surto extinto após 28 dias (dois períodos de incubação). Neste sentido, alguns dos listados podem já não registar casos há vários dias.

O Ministério da Saúde, juntamente com o Infarmed, tem acompanhado os desenvolvimentos de possíveis vacinas para a Covid-19. Porém, é ainda prematuro ter mais do que expectativas relativamente ao seu sucesso. Não obstante, Portugal já sinalizou o interesse em adquirir quantidades adequadas de uma eventual vacina.

Foram adquiridas quantidades maiores do que é o habitual da vacina da gripe. Os critérios de inclusão para vacina da gripe são anualmente avaliados, incluindo ou retirando grupos de acordo com a adequação. Grupos de risco para gripe não têm de ser iguais para grupos de Covid-19. No entanto, a comunicação oficial devia ter esclarecido em termos concretos de que grupos estamos a falar.

Sobre a transmissão vertical (mãe – filho), uma preocupação devido ao primeiro caso registado na passada semana em Portugal tem sido reportado na literatura como muito pouco frequente e a mensagem deve ser de tranquilidade.

Dúvidas são comuns, ter respostas é mais difícil

Se leu que o coronavírus Sars-Cov2 chega ao cérebro, fique a saber que essa informação é, para já, imprecisa. Estudos recentes apontam para a possibilidade do coronavírus Sars-Cov2 conseguir ultrapassar a barreira hematoencefálica, que isola o cérebro do resto do corpo, e impede a passagem de vírus, bactérias ou outros patógenos. Embora ainda não existam provas conclusivas, investigações validadas por pares e com amostras significativas têm vindo a identificar sintomas e consequências ao nível do sistema nervoso, sobretudo dos pacientes hospitalizados, que não podem ser explicadas apenas como resposta do sistema imunitário.

Mas se tem dúvidas se existe alguma ligação entre o tipo de sangue e o risco de contágio de Covid-19, fique a saber que é incorreto. A reivindicação de que o tipo de sangue podia interferir com a nossa permeabilidade ao vírus chegou a ser feita, apesar de ainda ser uma hipótese em estudo. Num estudo recente as poucas diferenças verificadas não representam um valor suficientemente significativo para os especialistas considerarem que há correlação.

Sobre se os fumadores de cigarros eletrónicos têm maior risco de contrair Covid-19, saiba que é impreciso. De acordo com a Organização Mundial de Saúde não existem até ao momento estudos que façam uma ligação entre o uso de cigarros eletrônicos e a Covid-19. No entanto, está provado que os cigarros eletrónicos são prejudiciais e aumentam o risco de doenças cardíacas e distúrbios pulmonares. Dado que o coronavírus afeta o trato respiratório e está associado a uma ação mão-na-boca, recomenda-se especial cuidado aos fumadores na prática diária e, se possível, uma redução ou paragem no consumo.

Vacinas dominam atenções dos portugueses

Nas últimas 24 horas, o tema Covid-19 que mais despertou a atenção dos utilizadores do Facebook foi a perspetiva – cada vez mais próxima – da descoberta de uma vacina. As duas publicações mais populares são sobre esse tema. A primeira, com mais de 4 mil interações (‘likes’, comentários e partilhas) remete para uma notícia da SIC Notícias que anuncia resultados positivos nas primeiras provas clínicas da vacina desenvolvida pela Rússia. A segunda, do Jornal de Notícias, relata que uma outra vacina, em desenvolvimento em Oxford, permite ativar o sistema imunitário contra o coronavírus. Qualquer destas duas notícias é repetida várias vezes entre as publicações mais populares do Top20 de hoje, confirmando que os utilizadores do Facebook estão ansiosos por notícias positivas sobre esta pandemia. A terceira publicação mais popular no Facebook é de índole política e remete para uma partilha de Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, de uma afirmação de António Guterres, Secretário-Geral da ONU, sobre os efeitos da pandemia e as desigualdades.

No resto da tabela das 20 publicações mais populares – e para além da já referida dominância das vacinas russa e inglesa – destaque também para a contabilidade das infeções e das vítimas, e para as duas cabeleireiras que, embora contaminadas, trabalharam de máscara. No total, as páginas de Facebook em Portugal publicaram, neste período, 939 conteúdos referentes ao coronavírus, os quais geraram 77500 ‘likes’, comentários e partilhas.

Nos grupos de Facebook dedicados à pandemia, as últimas 24 horas trouxeram apenas 86 publicações, com um total de 1237 ‘likes’, comentários e partilhas. Os temas são muito diversos, sem destacar as vacinas. Em vez disso, existe um texto longo sobre a experiência de ter a doença, que foi dos mais populares em dois dos grupos analisados.

Ontem, apenas um termo de pesquisa teve alguma relação com a Covid-19 – Sines. Na cidade do Alentejo Litoral uma pessoa foi detida e dois militares da GNR sofreram escoriações, numa ação da polícia para dispersar um grupo de pessoas que se encontravam sem o distanciamento social, sem máscaras e a consumir bebidas alcoólicas, em violação das normas em vigor devido à pandemia de Covid-19.

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Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
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