Falta de dados obriga a manter prevenção

No dia em que se atingiu a marca de 5 milhões de casos positivos no mundo é reforçada a importância da prevenção no combate à Covid-19. Na comunicação oficial chamou-se a atenção , como ainda não há dados sobre a reação do novo coronavírus ao calor, e se este tem um comportamento sazonal como os outros 4 coronavírus já identificados, não se podem descurar as medidas de prevenção. Certo é que vai ser publicado o diploma sobre a nova época balear, com regras próprias e com indicações específicas para o trabalho dos nadadores-salvadores.

Para as autoridades, ainda não é tempo para fazer um balanço relativo ao desconfinamento. É transmitida a ideia de confiança, mas continua a haver um critério de contenção e responsabilidade. O objetivo é encontrar um ponto de equilíbrio entre as mensagens “fique em casa” e “retome a sua atividade”, provavelmente a mensagem mais dúbia passada desde o início da semana. Por um lado, as palavras insistem em que os portugueses se mantenham em confinamento, por outro, os responsáveis do Governo insistem em que as pessoas saiam para apoiar a retoma da atividade económica.

Obviamente as questões de saúde são relevantes, e ficou claro que a retoma na atividade nos serviços de saúde, como consultas e cirurgias, tem vindo a ser realizada de forma progressiva e de acordo com a capacidade das instituições. Em termos de tempo que demorará a normalizar, dependerá da capacidade das instituições. O recurso aos convencionados continuará a ser uma solução sempre que necessário.

Ainda na sequência dos profissionais de saúde infetados no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, está a ser revista a estratégia de abordagem à testagem dos profissionais para, caso seja necessário, rever a norma 13 (relativa à testagem destes profissionais.

Em relação a focos de infeção por coronavírus, no caso específico da Azambuja tem havido uma colaboração das autoridades de saúde, autarquias locais, instituições e empresas no sentido de serem tomadas todas as medidas necessárias para confinar o surto e não haver disseminação comunitária. Os dois sectores da Sonae que apresentaram casos positivos realizaram 339 testes, dos quais 70 deram positivo para Covid-19. Testes realizados por outras empresas da zona deram até à data negativo.

Olhando para o futuro, falou-se novamente dos testes serológicos, mas a informação transmitida foi muito confusa e deve ser clarificada o mais rapidamente possível. Neste âmbito, foi explicado que todos os que venham a ser realizados, para além do projeto-piloto coordenado pelo Instituto Ricardo Jorge, serão importantes e tidos em conta na avaliação da imunização da população portuguesa. No entanto não foi explicado como outros testes são tidos em conta, como os dados dos diferentes estudos serão integrados, em que momento e por quem, no âmbito de se “obter uma fotografia da imunização” da população portuguesa.

Questões de privacidade geram desinformação

Há quem tenha medos infundados, e as aplicações para telemóvel sobre a Covid-19 não escapam à regra, havendo quem pense que as aplicações estão secretamente a ficar com os seus dados. No entanto, esta afirmação generalista é imprecisa. Desde a declaração do estado de pandemia, surgiram diversas aplicações associadas à Covid-19. Algumas delas não ficam com os seus dados e são úteis, outras ficam com alguns dos seus dados e outras são puramente feitas para ficar com os seus dados e eventualmente usá-los em ações maliciosas. Descarregar apenas aplicações das lojas oficiais (e não através de links), ter em atenção aos dados a que aplicação tem acesso ao descarregar e instalar apenas aquilo de que necessita são alguns dos conselhos dos especialistas.

Quase de um dia para o outro o mundo ficou a conhecer a plataforma Zoom – mesmo que ela já existisse e fosse utilizada há anos. Portanto houve logo quem pusesse em causa a sua segurança, mas também aqui a afirmação é imprecisa. A plataforma Zoom, que assistiu a um aumento gigantesco na sua utilização desde a declaração do estado de pandemia, tem sido associada a algumas falhas de segurança, tal como outras plataformas semelhantes. As falhas que vieram a público têm sido corrigidas e tem havido um forte investimento por parte da plataforma. Tendo a versão mais atualizada e outras medidas, o Zoom não é menos seguro do que outras plataformas semelhantes.

Nas habituais teorias da conspiração cabe a desconfiança de que na Alemanha os óbitos de Covid-19 foram na realidade causados por outras doenças. Mas esta afirmação e incorreta. Apesar de não haver ainda um padrão internacional, segundo indicações da OMS e das instituições reguladoras de saúde de outros países europeus, os óbitos apenas podem ser associados à Covid-19 quando os pacientes infetados demonstrarem causas de morte compatíveis com a sintomatologia da doença. Esse também é o caso na Alemanha, como destaca o Polígrafo.

Nas últimas 24 horas foram publicados nas páginas de Facebook portuguesas 1649 conteúdos sobre a Covid-19, que geraram um total de 151 mil interações (‘likes’, comentários e partilhas). O predomínio foi claramente da TVI que, entre TVI e TVI24, conseguiu que muitos dos seus conteúdos sobre Covid ascendessem ao top20 dos mais populares. Aliás, as três publicações mais populares são todas da TVI e da TVI24. E duas delas abordam ambas o mesmo tema: o anúncio de que o consumo de animais selvagens foi proibido em Wuhan. Pelo meio, outra notícia TVI em que a Ministra da Saúde anuncia que ainda podemos ter que enfrentar um segundo confinamento. De resto, a possibilidade de uma segunda vaga da pandemia é referida em várias notícias que ontem foram populares nas redes sociais.

Nos grupos de Facebook dedicados ao coronavírus, o tema das escolas e dos perigos para as crianças continuam dominantes, com os dois posts mais populares a falarem desse assunto. No total, estes 22 grupos públicos sobre Covid publicaram 225 conteúdos nas últimas 24 horas, que geraram 4936 interações.

No Twitter português foram publicados no dia de ontem 5101 tweets ou retweets sobre o tema Covid-19. O pico diário coincidiu com a conferência de imprensa diária da Direção-Geral de Saúde.

Futebol bate livraria nas pesquisas

No top 20 de ontem encontramos 5 termos de pesquisa relacionados, de alguma forma, com a Covid-19: Azambuja; Estádio João Cardoso; tubaina; cloroquina e Livraria Barata.

As pesquisas por Azambuja surgem depois de ter sido noticiado que foram detetados 70 casos de Covid-19 numa empresa de logística da Sonae na Azambuja, sendo a segunda empresa da Plataforma Logística da Azambuja onde foi detetado um número significativo de casos de Covid-19. Aquando da primeira o assunto também foi alvo de pesquisas significativas.

O Estádio João Cardoso, do Paços de Ferreira, juntou-se à lista dos recintos aprovados para ter jogos da Liga NOS, o que provocou pesquisas sobre o assunto. Quanto a reaberturas, a Livraria Barata também deu origem a mais de 2 mil pesquisas relacionadas com a notícia de que as dificuldades financeiras podem ditar o fecho da histórica livraria portuguesa.

A dupla pesquisa por tubaina (com mais de 5 mi pesquisas) e cloroquina (uma pesquisa recorrente que no dia de ontem teve mais de 2 mil pesquisas), aparecem no seguimento da declaração de Jair Bolsonaro, confesso adepto da administração sem sustentação científica de cloroquina para combater a Covid-19, em entrevista ao jornalista Magno Martins, que afirmou: “Quem é direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma tubaina”. A referência ao conhecido refrigerante brasileiro à base de guaraná acabou por, entre outras, sofrer críticas por parte da Associação de Refrigerantes, que já veio condenar a piada de Bolsonaro.

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