Estado descarta uso obrigatório de máscara na rua

A Ministra da Saúde considera a possibilidade do uso obrigatório de máscara na rua desnecessária. Nos últimos 7 dias regista-se uma diminuição da incidência nos novos casos em Lisboa e Vale do Tejo. Porém, padrões ainda não estão bem definidos. A estratégia de testagem e o número de testes realizados diariamente mantém-se. A tendência no número de novos casos é inconstante.

O Rt nacional (taxa de contágio por cada infetado), com dados de 10 a 14 de julho, é de 0,96 (o que significa que cada infetado contagia em média menos de uma pessoa). A distribuição por zonas é: 1,04 Norte, 0,99 Centro, 0,94 Lisboa e Vale do Tejo, 0,89 Alentejo e 1,17 Algarve. O indicador continua a suscitar dúvidas, nomeadamente pelo facto de este ser inferior em Lisboa, zona de tem concentrado a grande maioria dos casos, do que em outras zonas. Foi explicado na comunicação oficial que o indicador apenas dá o risco de transmissão de novos casos e não número de novos casos, daí os valores, mas mesmo que correto não deixa de ser confuso para a generalidade dos cidadãos.

Sobre os transportes públicos, a Ministra da Saúde esclareceu que neste momento não vê motivo para se alterar o definido. Relembra que há um risco, por si só, relacionado com a concentração de pessoas em espaços fechados.

Sobre os ajuntamentos, mesmo a “céu aberto”, acarretam riscos. Não se prevê um incremento das multas nesse âmbito. A pedagogia é privilegiada e já existem coimas em vigor.

O Estado explica que Portugal segue as boas práticas referidas pela revista médica “The Lancet” no âmbito de identificar o mais cedo possível (24 horas é o tempo de referência desejável) os contactos de um caso positivo e isolá-los. No âmbito do rastreio, com ou sem teste, procede-se ao isolamento. Em muitas situações o objetivo é atingido, mas, quando as cadeias de transmissão são mais complexas, demora mais tempo.

No âmbito dos contactos de casos positivos, DGS recorda que um teste negativo não significa terminar o isolamento profilático, uma vez que o período máximo de incubação é de 14 dias, devendo o mesmo ser mantido.

Um estudo do INE revela características, já identificadas, e que podem explicar o aumento dos casos nas freguesias mais afetadas: densidade populacional elevada, características habitacionais desfavoráveis e frequência intensiva de determinados espaços.

O plano para o Inverno está a ser desenhado, sendo complexo, e no qual ainda não se sabe qual será o peso da Covid-19. Foram comprados dois milhões de doses da vacina da gripe, com prioridade na vacinação para grupos mais vulneráveis e profissionais de saúde.

Sobre a polémica com ventiladores avariados no Algarve que não estarão em condições de funcionamento, foi esclarecido que não foram comprados pelo SNS e que quem os doou está a resolver a situação com o fornecedor. Dos 946 ventiladores adquiridos, 470 estão em testes.

Entre as dúvidas e o delírio

Entre as dúvidas pertinentes e puro delírio, a desinformação sobre a Covid-19 não deixa de circular.

Se tem dúvidas sobre se pode apanhar Covid-19 duas vezes, fique a saber que neste momento a informação é imprecisa. A pergunta surge nas pesquisas relacionadas sobre Covid-19 no Google e é frequente, mas infelizmente a comunidade ainda não tem resposta. Até ao momento, ainda não haverá registo de casos cientificamente comprovados de pessoas que tiveram a doença duas vezes. Os especialistas em coronavírus acreditam que a imunidade poderá ser de duração limitada, mas que as reinfeções serão em regra mais ligeiras, podendo não se desenvolver a doença.

Há também dúvidas sobre se o uso de equipamento de proteção pessoal deixa marcas significativas no rosto dos profissionais de saúde, o que é igualmente impreciso. Imagens virais de enfermeiros e médicos com marcas profundas no rosto devido ao uso de equipamentos de proteção pessoal circulam nas redes sociais. O Polígrafo verificou uma das imagens, de uma enfermeira brasileira que participa de um projeto do New York Times. Como destaca a plataforma de fact-checking, a foto foi manipulada para salientar as marcas, não obstante elas existirem. Em alguns casos as marcas podem ser profundas, com equipamentos de menor qualidade ou usados durante mais horas. Apesar das indicações das autoridades de saúde serem contra ambas as práticas, muitos profissionais de saúde não têm outra alternativa.

Por fim, se leu ou ouviu que as zaragatoas usadas nos testes à Covid-19 contêm um chip que é implantado no cérebro, podemos dizer que, no mínimo, é incorreto. Como é fácil perceber, os testes à Covid-19 não danificam o cérebro, não são perigosos para a saúde e não são usados para implantar nenhum objeto estranho, como um chip. E não existe nenhum caso cientificamente documentado de algum destes fenómenos que não se conseguiriam encontrar nem no Entroncamento.

Portugueses interessados no caso das martas infetadas

Nas últimas 24 horas foram publicados, nas páginas de Facebook portuguesas, um total de 1262 conteúdos referentes à pandemia de Covid-19, os quais geraram 82 mil interações, entre ‘gostos’, comentários e partilhas. O tema dominante, com sete das 20 publicações mais populares do dia, foi a anunciada morte de 100 mil martas numa quinta em Espanha por estarem infetadas com o coronavírus. O primeiro do ranking das publicações mais populares é precisamente sobre esse assunto, e veicula uma notícia do Jornal de Notícias. A segunda publicação mais popular é do site Notícias ao Minuto e retrata uma situação epidemiológica a piorar também em Espanha. O lugar mais baixo do pódio ficou para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que, segundo a TVI24, concorda com António Costa na afirmação de que Portugal não aguenta um segundo confinamento.

Para além das martas espanholas, que se destacam no top20, os outros temas de relevo são os profissionais de saúde detidos por burlarem os cidadãos com promessas de tratamento para a Covid-19, e a possibilidade de serem suprimidos os limites de lotação nos transportes públicos.

Nos grupos de Facebook dedicados à Covid-19, as mesmas 24 horas trouxeram 159 publicações, que geraram 1755 ‘likes’, comentários e partilhas. Os temas das martas infetadas com Covid-19 e do ventilador português também são referidos, mas a maior preocupação parece ser o calor. A publicação mais popular nestes grupos, no entanto, brinca com a pandemia através da adaptação de ditados conhecidos. Por exemplo: “A boda e a batizado não vás se fores covidado.”

Hoje voltou a não haver pesquisas relevantes sobre a Covid-19 em Portugal.

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Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
Este foi um dos projetos em que nos envolvemos por acreditarmos que a Psicanálise pode e deve participar mais activamente na comunidade, nomeadamente, em momentos em que o Ser Humano é obrigado a sofrer e a realizar alterações tão profundas na sua vida.
Falámos de pesadelos e de histórias tranquilizadoras, da criatividade e generosidade humanas e muito, mas muito, do desejo de saber e de participarmos na construção do pensamento e do conhecimento. E não há conhecimento sem verdade, por mais dolorosa que ela seja. Desistir das falsas ilusões é conhecer a realidade e poder criar e lutar por sonhos, ainda que por vezes estes possam parecer utopias.
“Transformar é Viver” significa para nós que Viver é sempre Transformar, mesmo quando não temos consciência de o estarmos a fazer.
Até sempre!

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