Entrada em Portugal de cidadãos e residentes gera debate

Um dos temas mais debatidos sobre a Covid-19 é a denúncia da entrada em Portugal, através do aeroporto de Lisboa, de passageiros oriundos de países considerados de risco para a Covid-19 sem prova de teste negativo.

A informação indicada pelas autoridades foi que, em tais casos, os passageiros são encaminhados para a equipa de saúde com vista à realização de teste no aeroporto. Aqueles que não possuíam prova de teste negativo e não realizaram teste no aeroporto foram identificados para posterior contacto e seguimento. Não obstante, todos os passageiros preenchem o passenger location card e os caos referidos nas redes sociais e em alguns media foram marginais, segundo as autoridades de saúde.

É importante relembrar que está a ser permitida a entrada, em território português, de cidadãos nacionais e estrangeiros residentes, que chegam de países considerados de risco, como os Palop, Brasil ou EUA, sem que apresentem o teste ou sejam obrigados a realizá-lo como condição de entrada. Isto porque não lhes pode ser recusada a entrada: são cidadãos do país ou estrangeiros legalmente residentes. Têm o direito de entrar, em qualquer circunstância e sem qualquer tipo de condicionante.

Em Portugal os números hoje não foram tão bons como nos dois dias anteriores, com 252 novos casos, e como habitualmente muito concentrados em Lisboa e Vale do Tejo.

Sobre as recorrentes dúvidas acerca da distribuição dos casos por concelho, foi explicado que não existem casos perdidos, apenas não estão colocados no boletim. Só se coloca discriminado por concelho quando o mesmo é confirmado medicamente e não laboratorialmente que, por omissão, pode assumir o concelho onde o teste é feito.

Sobre quem são as “pessoas em vigilância”, dado referido no boletim, foi esclarecido que se trata de um contacto de um caso confirmado (vigilância ativa) e doentes (vigilância clínica) com sintomas e/ou teste positivo, que estão em casa. Em ambos os casos estão confinados em casa e vigiados, pelo médico ou autoridade de saúde.

No âmbito do número de casos de Covid-19 em países cujo sistema de vacinação contemplava a BCG, e potenciais conclusões sobre os efeitos desta vacina na possibilidade de infeção, a OMS está a acompanhar 2 ensaios dos quais ainda não há resultados.

A Austrália será, pelo seu desenvolvimento e pelo inverno ser 6 meses antes que em Portugal, um barómetro. Porém, haverá que ter margem de manobra já que a Covid-19 não se comporta como a tradicional gripe.

Dúvidas, mitos e enganos

Se lhe passou pela cabeça, ou pelas redes sociais, que as zaragatoas usadas para fazer o teste à Covid-19 já vêm de fábrica infetadas com o vírus, fique a saber que é totalmente incorreto. Não existem provas de nenhum caso a nível mundial de testes à Covid-19 infetados ou adulterados, sendo que a maioria deles são efetuados por diferentes laboratórios e instituições devidamente certificadas, que cumprem os procedimentos de rigor científico para este tipo de exames.

E se já pensou em comprar garrafas de oxigénio como medida preventiva para a Covid-19, fique a saber que além de desnecessário, isso é incorreto e até pode ser perigoso. Vários anúncios que vendem ou promovem garrafas de oxigénio inundaram as redes sociais um pouco por todo o mundo, mas os especialistas destacam que, caso tenhamos dificuldades respiratórias devido à Covid-19, devemos ser internados a nível hospitalar, e que este tipo de tratamentos deve ser realizados sempre com acompanhamento e indicação médica, e nunca por iniciativa individual.

E se continua a acreditar que o uso de máscara pode ser prejudicial (se fosse, os profissionais de saúde iriam usá-las?), e acredita que experiências provaram que existe uma quantidade anormal de CO2 dentro das máscaras usadas por longos períodos, foque a saber que é totalmente incorreto. Vídeos de experiências usando medidores de oxigénio e de CO2 circulam online reivindicando que os valores de CO2 no espaço interior das máscaras é tóxico e perigoso para a saúde. No entanto, os especialistas destacam que esse risco não é real desde que as máscaras cumpram as normas estabelecidas, e apontam-se falhas às experiências, desde o tipo de medidores usado ao contexto da experiência.

Entradas em Portugal geram dúvidas no Facebook

Nas últimas 24 horas, foram dois os temas que mais se destacaram nas páginas de Facebook em Portugal a propósito da Covid-19: as regras de entrada de estrangeiros no nosso país e o caso pungente do homem que escalou um prédio para estar perto da mãe. A publicação com mais interações (‘likes’, comentários e partilhas) foi publicada pelo comediante Nilton e comenta que “somos uma anedota”, a propósito de uma notícia do Observador que refere o vazio legal que enfrentam os estrangeiros provenientes de países terceiros (registou 7287 interações).

As segunda e terceira publicações mais populares sobre o tema são ambas relativas à história, já noticiada ontem, de Jihad Al-Suwaiti, um jovem palestiniano que subiu à janela do hospital onde a sua mãe estava internada para estar com ela nos últimos momentos. “A Pipoca Mais Doce” e a SIC Notícias fizeram eco dessa história e ascenderam ao pódio das publicações mais populares do dia (com 4077 e 3717 interações, respetivamente). Mas a verdade é que este caso está presente em várias outras publicações do top20 de hoje.

No resto da tabela das 20 publicações mais populares, quatro outros temas merecem nota de destaque: a informação de que a próxima temporada da série “A Anatomia de Grey” irá ser sobre a Covid-19; a suspeita de que a Direção-Geral da Saúde não sabe onde param cinco mil infetados; o segundo teste positivo de Jair Bolsonaro; e a “chuva” de dinheiro vinda da Europa. No total, as últimas 24 horas representaram 1160 publicações sobre a Covid-19, as quais geraram 93 mil interações (‘likes’, comentários e partilhas).

Nos grupos de Facebook dedicados à Covid-19, os dois temas referidos acima também estiveram em destaque. E parecem ter provocado uma maior atividade do que no dia de ontem, com 94 publicações e 2588 interações (ontem eram 753). Os passageiros de Angola que não são sujeitos ao teste à Covid-19 e um vídeo que mostra um grupo de agentes da PSP a deterem um jovem infetado são outros temas em destaque nestes grupos.

Ontem voltou a estar, entre os 20 mais pesquisados em Portugal, um termo relacionado com a Covid-19: SEF. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras esteve entre os mais pesquisados, com mais de 20 mil pesquisas, em Portugal. A razão pelo interesse nesta entidade poderão ser as notícias que surgiram sobre o facto de estarem a entrar em Portugal passageiros provenientes de voos que chegam ao aeroporto de Lisboa sem realizar o teste à Covid-19.

ÚLTIMOS ARTIGOS

Artigos Relacionados

Medidas do Governo, medicamentos e entidades oficiais encabeçam as pesquisas relacionadas com a Covid-19

As pesquisas realizadas em Portugal, durante os últimos quatro meses, dão-nos pistas sobre as preocupações, as necessidades de esclarecimento e procura de informação acerca...

Desde 9 de maio, início deste projeto, que os psicanalistas da Sociedade Portuguesa de Psicanálise se envolveram na tarefa de criar pequenos textos, nos quais a vivência subjetiva do momento ganhasse forma em palavras, em pequenos textos de variados ritmos, recorrendo frequentemente à arte expressa por escritores e poetas. Falaram sobre o medo, o tempo suspenso, a morte, a angústia, a esperança, a criatividade, o amor, a solidariedade e o cansaço. Falaram também da violência humana e da injustiça, do sentimento de impotência e de ilusão.
Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
Este foi um dos projetos em que nos envolvemos por acreditarmos que a Psicanálise pode e deve participar mais activamente na comunidade, nomeadamente, em momentos em que o Ser Humano é obrigado a sofrer e a realizar alterações tão profundas na sua vida.
Falámos de pesadelos e de histórias tranquilizadoras, da criatividade e generosidade humanas e muito, mas muito, do desejo de saber e de participarmos na construção do pensamento e do conhecimento. E não há conhecimento sem verdade, por mais dolorosa que ela seja. Desistir das falsas ilusões é conhecer a realidade e poder criar e lutar por sonhos, ainda que por vezes estes possam parecer utopias.
“Transformar é Viver” significa para nós que Viver é sempre Transformar, mesmo quando não temos consciência de o estarmos a fazer.
Até sempre!

Covid-19 foi ‘explosivo’ nas redes sociais mas perdeu impacto ao longo do tempo

Entre o início de março e o final e julho monitorizámos as redes sociais Facebook e Twitter para tentar perceber como é que a...