E ao segundo dia os números continuam animadores

Em dois dias tudo parece melhorar: hoje houve apenas 127 infetados por Covid-19, o menor número de infetados desde 11 de maio, batendo em baixa os 135 de segunda-feira. O que se mantém similar é a distribuição geográfica, com cerca de 80% a registar-se em Lisboa e Vale do Tejo. Ainda é cedo para confirmar se há um decréscimo acentuado de novos casos, mas dois dias bons é melhor do que apenas um.

Mesmo assim não se podem cruzar braços, e os casos de desrespeito pelas regras continuam a surgir. Por exemplo, um homem de 27 anos infetado com Covid-19 teve de ser detido pela GNR do Redondo, Évora, por desrespeito das regras de confinamento em quarentena em casa.

E antecipam-se novos desafios, como informar corretamente os emigrantes que vêm passar férias a Portugal, havendo que sugira que deviam ser alvo de campanhas de sensibilização a reforçar a importância de se protegerem a si e aos outros.

A nível internacional, nos Estados Unidos voltaram a registar-se mais de 60 mil novos casos de Covid-19 pelo sétimo dia consecutivo. Em Espanha registaram-se 529 infeções. Um mês depois da reabertura, Espanha torna-se no segundo país europeu com mais novos casos. Há duas centenas de focos ativos no país, com Aragão e Catalunha a serem as comunidades mais afetadas, e ambas fazem marcha-atrás no desconfinamento.

Coincidência ou não, Espanha e EUA identificaram grandes focos com origem em estabelecimentos de diversão noturna.  Por exemplo, de 400 pessoas que estiveram numa discoteca de Córdoba, 73 tiveram teste positivo ao coronavírus. Ao contrário de Portugal, Espanha abriu a diversão noturna, mas agora está a encerrá-la de novo.

Em Hong Kong, com um recorde de 108 novos casos num só dia, os sete milhões de habitantes passam a ser obrigados a usar máscara em todas as situações públicas.

Não há milagres para a pandemia

A busca por milagres que resolvam a pandemia faz com que as promessas fáceis de cura inundem as redes sociais, a par com a criação de dúvidas sobre os comportamentos corretos.

Se leu que a budesonida cura a Covid-19, fique a saber que a informação é incorreta. Algumas publicações identificam a budesonida, um inalador esteroide frequentemente utilizado para a asma, como curando a Covid-19. No entanto, não existe ainda evidência científica comprovando a eficácia do medicamento no tratamento para a infeção.

E por muito que inale, o uso diário de água do mar para limpar o nariz também não ajuda a prevenir a Covid-19, pois essa informação é incorreta. Não obstante a eficácia comprovada de ajuda que a água salgada poderá ter em desentupir as vias aéreas superiores, e em ajudar a curar uma comum constipação, não existe nenhuma evidência que a água do mar ajude na cura ou previna o contágio por Covid-19.

Se tem medo que o uso de álcool-gel destrua a proteção natural de imunidade da pele, pode ficar descansado, porque a informação é incorreta. A reivindicação de que não devemos usar álcool-gel ou outros desinfetantes vários dias seguidos, porque eliminam uma barreira natural de proteção que existe na nossa pele, não está sustentada cientificamente, conforme comprova o Polígrafo.

Recomendações sobre uso de ar condicionado gera interesse

Nas últimas 24 horas, as páginas de Facebook em Portugal publicaram 1142 conteúdos relativos à pandemia de Covid-19, os quais geraram um total de 97 mil ‘likes’, comentários e partilhas. A publicação mais popular do dia é da Direção-Geral da Saúde e dá conselhos úteis sobre a utilização de sistemas de ventilação e ar condicionado (6657 interações). A segunda publicação mais popular (4682 interações) é da página “Eu Adoro Portugal” e propõe uma oração pelo regresso à normalidade. O terceiro lugar do pódio é ocupada por uma história de interesse humano descrita pelo Correio da Manhã: um jovem da Cisjordânia escalou a parede de um hospital para estar perto da mãe, internada com Covid-19. Esta é aliás uma história que se repete em várias publicações do top 20. O resto dos temas dessa tabela são muito diversificados.

Nos grupos dedicados à Covid-19, o mesmo período de 24 horas representou 85 publicações, com 753 ‘likes’, comentários e partilhas.  A orgia alegadamente prevista para a Comporta foi aquilo que mais suscitou a atenção dos utilizadores, seguido do número baixo de novos casos, e da perspetiva de uma vacina vinda de Oxford.

Não houve pesquisas relevantes sobre a pandemia em Portugal.

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Desde 9 de maio, início deste projeto, que os psicanalistas da Sociedade Portuguesa de Psicanálise se envolveram na tarefa de criar pequenos textos, nos quais a vivência subjetiva do momento ganhasse forma em palavras, em pequenos textos de variados ritmos, recorrendo frequentemente à arte expressa por escritores e poetas. Falaram sobre o medo, o tempo suspenso, a morte, a angústia, a esperança, a criatividade, o amor, a solidariedade e o cansaço. Falaram também da violência humana e da injustiça, do sentimento de impotência e de ilusão.
Dia a dia, criaram textos que falavam de si e dos outros, numa procura de sentido e de sentires. Tentaram dar nome à inquietante estranheza que brutalmente nos invadia.
O imenso testemunho de que todo este projeto fala perdurará para além deste momento marcante da nossa história mundial, nacional e pessoal. Para o conjunto dos membros da nossa Sociedade Portuguesa de Psicanálise este tem sido um tempo e um processo de aprendizagem, de coesão, de partilha, de exposição e de transformação, no encontro com o outro, da relação existente e imaginada com o possível leitor.
Este foi um dos projetos em que nos envolvemos por acreditarmos que a Psicanálise pode e deve participar mais activamente na comunidade, nomeadamente, em momentos em que o Ser Humano é obrigado a sofrer e a realizar alterações tão profundas na sua vida.
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