Balanço semanal é positivo, mas inovação portuguesa destaca-se

Ao chegar a sábado, o balanço semanal de novas infeções por coronavírus em Portugal tem de ser positivo, apesar dos 263 novos casos do dia, 70% dos quais na região de Lisboa. Apesar de ainda longe do objetivo zero, a verdade é que esta semana a média diária esteve bem abaixo dos 300 caso por dia, que foram a norma durante longas semanas.

Mas o destaque do dia tem de ir para a inovação tecnológica made in Portugal, em especial a primeira máscara que inativa o coronavírus. Trata-se de uma máscara têxtil e reutilizável, com capacidade comprovada para inativar o vírus responsável pela Covid-19, criada em Portugal, numa cooperação entre empresas e investigadores. A máscara MOxAd-Tech superou com sucesso os testes realizados, tornando-a na primeira com capacidade de inativar o vírus SARS-CoV-2. Além de desenvolvidas, são também produzidas em Portugal e já são comercializadas, por 10 euros, tanto no país como em toda a União Europeia, desde abril (mas só agora foi certificada).

Igualmente nova é a informação de que o ventilador Atena, desenvolvido pelo CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento e já com autorização do Infarmed para a utilização no âmbito da Covid-19, terá uma versão 2, mais completa, que será submetida a certificação CE e poderá, assim, ser um concorrente dos aparelhos atualmente disponíveis.

O lado menos positivo continua a ser os desrespeitos pelas normas de segurança. A Polícia Marítima de Setúbal fiscalizou várias situações durante a madrugada, todas com jovens e álcool (proibido em público devido às medidas de contenção da Covid-19), entre as quais uma ação em Tróia e outra na Praia de Albarquel, ambas em Setúbal.

A nível internacional, a pandemia continua em roda livre: a OMS relatou o maior aumento de casos globais num único dia, com o total a crescer mais de 284 mil casos em 24 horas. Os maiores aumentos foram nos Estados Unidos, Brasil, Índia e África do Sul. Acrescente-se que nos EUA registaram-se mais de 1000 mortes pelo quarto dia consecutivo. Ah, e Bolsonaro anuncia que testa negativo, depois de vários testes positivos, e voltou a aparecer a fazer campanha sem fundamentos pela hidroxicloroquina, medicamento que a comunidade científica mundial já descartou como tendo algum tipo de efeito positivo na luta contra a Covid-19.

Disparates, falsas e esperanças e boas notícias

Parece que vale tudo no que toca a inventar disparates sobre a pandemia. Por exemplo, afirmar que as emoções fortes criam ondas sonoras que previnem a Covid-19 é totalmente incorreto. A reivindicação foi identificada pelo Polígrafo nas redes sociais e defende que as emoções fortes, como o amor e a compaixão, produzem ondas sonoras na área dos 95 e 150Hz, e que a Covid-19 se propaga a uma intensidade mais baixa (5,5Hz), e que, nessa lógica, este tipo de sensações boas afastam o vírus. Por mais que a equipa do CovidCheck gostasse que esta reivindicação fosse verdadeira, a mesma não está sustentada em quaisquer factos reais, como demonstra o artigo da plataforma de fact-checking.

Criar falsas esperanças também tem o seu quê de negativo, por isso se ler que já vai haver vacina no início do próximo ano fique a saber que é impreciso. Existem neste momento 4 vacinas já em fase final de testes, uma britânica, uma nos EUA e duas ligadas a laboratórios chineses, que poderão estar prontas para comercialização no início do próximo ano, como destaca o Polígrafo. No entanto, ainda estamos longe de garantir essa meta, sendo necessário que os testes a larga escala que se começam a realizar neste momento tenham resultados de eficácia e segurança que justifiquem a sua comercialização.

Mas é correta a informação de que existem tecidos mais eficazes ao serem utilizados em máscaras para repelir o Sars-Cov2. Existem neste momento diferentes alternativas no mercado de tecidos cujos testes em laboratórios são promissores, ao apontarem para uma maior eficácia em repelir o Sars-Cov2 do que tecidos regulares. Em Portugal foi a Sonae Fashion que apresentou um tecido, já disponível em máscaras, e nos EUA investigação promissora está decorrer na área dos tecidos eletrocêuticos, cujos testes, ainda em fase experimental, demonstram relativa eficácia na neutralização do coronavírus.

Máscara ”inativadora” domina no Facebook

Nas últimas 24 horas, dois temas dominaram as conversas nas páginas de Facebook a propósito da Covid-19: uma máscara inovadora desenvolvida em Portugal que promete ‘inativar’ o coronavírus, e a morte de um feto de apenas oito meses, no Hospital Amadora-Sintra, vítima de Covid-19. Os dois temas estão presentes no pódio de hoje. O primeiro destaca-se, com uma publicação da SIC Notícias que conseguiu mais de dez mil interações (‘likes’, comentários e partilhas), seguido de mais cinco publicações sobre o mesmo tema, incluindo uma publicação da MO, a marca do grupo Sonae que a comercializa. O segundo tema chega ao pódio com uma publicação da TVI24, mas existem igualmente outra quatro publicações no top20 que abordam o assunto. Entre as duas publicações, no lugar intermédio do pódio, está uma publicação do Correio da Manhã que indica que a vacina contra a Covid-19, quando estiver disponível, poderá vir a ter de ser paga pela população.

No resto do top das 20 publicações que mais captaram a atenção dos portugueses – e para além dos três temas já referidos – destaque ainda para a menina de três anos que morreu na Bélgica, afetada pela Covid-19. No total, as últimas 24 horas trouxeram 978 publicações sobre a pandemia nas páginas de Facebook, as quais geraram 118664 ‘likes’, comentários e partilhas. Curiosamente, menos publicações do que nos quatro dias anteriores, mas com bastante mais interações, confirmando a grande atenção prestada aos temas em destaque.

Aliás, os grupos de Facebook dedicados à Covid-19 também evidenciam isso: as duas publicações mais populares nestes grupos são sobre esse tema. Também aqui se registou hoje menos publicações do que nos dias anteriores (63 no total), mas com mais interações (1882) confirmando que os utilizadores destes grupos encontraram bastante interesse nas publicações partilhadas.

Hoje não houve pesquisas relevantes sobre a pandemia em Portugal.

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