Somos todos responsáveis pela proteção de todos

A informação oficial da Direção-Geral de Saúde focou-se, mais uma vez, em reforçar as orientações de boas práticas, responsabilizando todos pelo seu cumprimento. A ideia é de autorresponsabilização para proteger o próprio e os outros.

Foi chamada atenção para as consequências de “relaxar” no cumprimento das medidas de autoproteção, pois pode originar novos focos de infeção, tal como foi registado em outros países. Da mesma forma, ficou o aviso que todas as pessoas que não tiveram a doença estão em risco, e daí a importância de uma resposta coletiva no cumprimento das medidas.

Quanto ao número de casos, não se pode afirmar neste momento que o aumento diário, registado nos últimos 3 dias, se deva ao desconfinamento. Não é ainda possível saber o número de pessoas testadas, apenas o número de testes realizados (por exemplo, pessoas infetadas fazem mais do que um teste). Aferir sobre o número de pessoas testadas implica cruzamento de várias fontes.

No caso específico de Lisboa e Vale do Tejo o aumento dos números deve-se a três fatores: 1. O vírus continuar a circular; 2. Efeito do rastreio (está a ser realizada uma média diária de 4000 testes na região); 3. Efeito do foco identificado na Azambuja (104 casos, sendo 101 trabalhadores da mesma empresa identificados como positivos).

Ainda é cedo para levantamento de dados relativos ao funcionamento hospitalar (não Covid-19), como consultas ou exames, e há uma normalização da linha SNS24 em termos de chamadas e atendimentos.

Os migrantes, refugiados e profissionais que com eles trabalham têm informação específica no site da DGS. Uma prioridade da DGS, embora ainda sem data, é a revisão da norma relativa aos partos e amamentação.

A generalidade das ideias foram transmitidas de forma clara, exceto a utilização do TraceCovid, sistema que vai permitir aferir de forma mais exata os “casos ativos” (aqueles que ainda não recuperaram). A explicação da DGS foi confusa e deve ser reformulada em futuras comunicações.

 Mentiras e conselhos úteis nas redes sociais

Nas redes sociais a desinformação sobre a Covid-19 focou-se em desculpas, medos e comportamentos supostamente seguros. O uso de máscara é recomendado, não existindo qualquer risco de hipoxia. E lá porque o tempo mais ameno é acompanhado por mais insetos, também não há motivos para ter medo de ser contagiado pelos mosquitos. E ser vegetariano não tem qualquer vantagem imunitária em termos de coronavírus, não havendo qualquer prova de que as escolhas alimentares influenciam a propensão para ser contagiado.

Nas últimas 24 horas, a publicação da DGS com as indicações de como e quando deve ser usada a máscara de proteção foi o mais partilhado, ‘gostado’ e comentado de todos os comentários sobre o Codid-19, com mais de 7700 interações. O aumento do número de casos em Lisboa e o direto da conferência de imprensa da DGS também estiveram em destaque. Esta amostra recolhe todas as publicações públicas no Facebook com referências ao Covid-19.

Música no topo das pesquisas online

A cultura é uma das áreas mais afetadas com esta nova situação que vivemos. No topo das pesquisas online realizadas em Portugal duas situações bem diferentes destacaram-se: a realização da serenata monumental da Universidade de Coimbra e o anúncio de legislação específica que proíbe a realização dos chamados festivais de verão, antes de 30 de setembro.

A Serenata Monumental de Coimbra marca o início da Queima das Fitas em Coimbra e foi transmitida, em direto, “online” à meia-noite, através do Youtube, Instagram, Facebook e Rádio da Associação Académica da Universidade de Coimbra. O interesse foi grande e motivou mais de 20 mil pesquisas, espalhadas um pouco por todo o país, mas com maior interesse no distrito de Coimbra.

A pesquisa pelo termo Festivais de verão chegou ao top 5 dos mais pesquisados em Portugal, enquanto a pesquisa por festivais específicos também marcou presença, como é o caso do Nos Alive e a Festa do Avante. Estas pesquisas foram propulsionadas pelo anúncio de legislação do Governo, que proíbe a realização de festivais de música este verão. “Impõe-se a proibição de realização de festivais de música até 30 de setembro de 2020”, comunicado do Conselho de Ministros de 7 de maio.

De salientar também a pesquisa por Avipronto, empresa de produtos alimentares da Azambuja, onde foram detetados 101 casos positivos de Covid-19 entre os cerca de 200 trabalhadores. A Avipronto encontra-se encerrada desde sábado.

Num dia de relativa normalidade na comunicação oficial e nas preocupações dos portugueses, merece chamada de atenção a desinformação e os riscos que ela acarreta para cada cidadão. Por isso, USE MÁSCARA SEM HESITAÇÃO.

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